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Filosofia da Terra

Furar o Nevoeiro da Ideologia Burguesa. O Bem, a Verdade e o Belo - Paradigmas Unidos da Vida. Um Olhar e uma Voz Diferentes, Livres, Progressistas e Revolucionárias. Filosofia, Artes, Política, Acontecimentos, Reflexões.




Parece que é aqui que tenho de desabafar. Não me publicam os comentários no “Público online”. Por que será? Talvez porque a razão vale mais do que mil imagens. Maquiavel, em O Príncipe, escreveu, ensinando os políticos a manobrarem o povo, que é fácil enganar o povo porque “as pessoas acreditam no que vêem”. É que aquilo que vêem não corresponde necessariamente à verdade, até porque a verdade é a interpretação objectiva dos factos. Imagens  atribuídas a factos inexistentes ou interpretadas como sendo efeitos de causas elas próprias imaginárias e que servem propósitos mascarados por motivos altruístas são o melhor que há para lançar os homens uns contra outros e para os conspiradores alcançarem os seus objectivos.



A táctica (cara a Goebbels, ministro nazi da propaganda) da inversão da culpa, ou da causa (Goebbels mandou incendiar o Reichstag e depois acusou os comunistas a fim de os ilegalizar), vem deste o início da História e foi usada em tempos não muito recuados para pôr fim à URSS, como, por exemplo, no caso de uma massacre junto à estação de televisão da capital da Lituânia (um país báltico) para excitar a população bática, russa e ocidental contra o regime soviético.
Higinio Polo narra, em o Diário.info (9 Fevereiro 2012) o acontecimento:
As tensões nacionalistas desempenharam um papel importante na destruição daURSS; por vezes com obscuras operações que a historiografia ainda não abordou deforma rigorosa. Um exemplo pode ser suficiente: em 13 de Janeiro de 1991 houve um massacre frente á torre de televisão de Vilnius, capital lituana. Treze civis e um militar do KGB foram mortos, e a imprensa internacional classificou o incidente como “brutal repressão soviética”, como manchete de muitos jornais. O Presidente George Bush [pai] criticou a actuação de Moscovo, e a França e a Alemanha, bem como a NATO, pronunciaram duras palavras de condenação: o mundo ficou horrorizado coma violência extrema do governo soviético, enfrentando o governo nacionalista lituano que controlava nessa época o Sajudis, liderado por Vytautas Landsbergis. Sete dias depois, em 20 de Janeiro, uma maciça manifestação em Moscovo exigia a renúncia de Gorbatchev, enquanto Yeltsin o acusava de incitar o ódio nacionalista, acusação obviamente falsa. Uma onda de protestos contra Gorbatchev e o PCUS, e em solidariedade com os governos nacionalistas bálticos, sacudiu muitas cidades da União Soviética.


No entanto, sabemos agora que, por exemplo, Audrius Butkevicius, membro do Sajudis e responsável da segurança no governo nacionalista lituano, e depois ministro da Defesa, se vangloriou perante a imprensa pelo seu papel na preparação desses eventos, a fim de desacreditar o exército soviético e o KGB; chegou a reconhecer que sabia que ocorreriam vítimas nesse dia ante a torre de televisão, e também sabemos agora que os mortos foram provocados por franco-atiradores nos telhados de edifícios e não receberam tiros em trajectória horizontal, como seria o caso se tivessem sido atacados pelas tropas soviéticas que estavam na entrada da torre de TV. Butkevicius reconheceu anos após os factos que membros do DPT (Departamento de Protecção do Território, o embrião do exército criado pelo governo nacionalista) colocados sobre a torre de televisão dispararam para a rua.
Num exemplo comparável, atentados em Damasco são atribuídos pelos rebeldes armados ao próprio governo. Em O Diário.info (7 Fevereiro 2012), lê-se que
As reaccionárias monarquias que comandam a Liga Árabe enviaram à Síria 160 observadores. Mas o relatório que estes elaboraram desmente a versão com que a NATO, tal como fez na Líbia, vem preparando a intervenção directa. O relatório afirma categoricamente que não houve repressão letal e organizada por parte do governo sírio contra os manifestantes pacíficos. Em vez disso, fala de bandos suspeitos como responsáveis das mortes dos civis sírios e de cerca de mil efectivos do exército sírio, através da utilização de tácticas letais tais como a colocação de bombas em autocarros civis, em comboios que transportavam diesel, em autocarros da polícia e em pontes e canalizações.
Nem os enviados das monarquias reaccionárias e democráticas do Médio-Oriente tiveram a coragem de faltar tanto à verdade como os media portugueses.
As potências ocidentais têm usado movimentos político-religiosos, como a Irmandade Muçulmana, para levarem ao poder nos países árabes políticos que, fingindo acudirem às reivindicações populares, ficavam atados aos interesses estratégicos e energéticos dos EUA, da Inglaterra e da França. Tudo serve para estes países manterem a sua influência. Agora o melhor argumento é a defesa dos direitos humanos e as suspeitas informações dadas por OGN‘s pouco insuspeitas? Quantas centenas de milhares de mortos resultaram, e continuam a resultar, dessa cínica propaganda?
Um comentador, assinado Reb, um infeliz manipulado, escreveu que a Síria se arrisca a ficar na zona de influência da China. Parece ser a sua grande preocupação, como a de muita gente. Estão alucinados pelo “charme” dos filmes de Hollywood com o seu complexo do herói redentor, com a sua luta permanente e simplista entre o bem e o mal, pelos tele-discos onde a vida é uma festa permanente bem frequentada por “gangsters” sedutores e ricos e por meninas roliças e de perna aberta, e sobretudo pela magia inerente ao poder.
A grande cultura estado-unidense, que sempre lutou a um nível intelectual e artístico muito elevado pela humanização do seu país, contra o poder exorbitante do seu sistema militar-industrial sobre o mundo e contra a influência do capital financeiro na política interna e externa, é escondida deliberadamente das grandes massas. Os EUA são muito mais e muito melhor do que o seu proselitismo puritano fundador, do que a sua pilhagem de matérias-primas, do que o seu militarismo.
Eis a minha resposta não publicada:
Estás a falar de Portugal? Tens medo que os EUA percam influência em Portugal para a China? Não deves ter, porque me parece que deste o voto ao PSD. Preferes a guerra americana ao comércio chinês? A burrice do EUA, dos seus acólitos europeus e de crédulos como tu é muito clara: fazem e promovem a guerra, fomentam a morte em nome dos “direitos humanos” enquanto a Rússia e sobretudo a China, cujos regimes não me despertam especial simpatia, promovem o comércio.
É uma resposta que serve, “helás”, para muita gente.