Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Filosofia da Terra

Furar o Nevoeiro da Ideologia Burguesa. O Bem, a Verdade e o Belo - Paradigmas Unidos da Vida. Um Olhar e uma Voz Diferentes, Livres, Progressistas e Revolucionárias. Filosofia, Artes, Política, Acontecimentos, Reflexões.

Paixões por Leonel Messi e "Objectividade" Matemática 

 
 
Mesmo não dando muita importância ao futebol e sem acreditar muito na objectividade estatística aplicada ao valor dos desportistas, dá que pensar. E só por dar que pensar para além das quatro linhas do campo onde corre uma bola redonda, mas que é mais redonda só para alguns - simbolizando a vida real -, é que publico isto. 
Se no futebol, as paixões cegam e deixam-se manipular por interesses ocultos, cuja objectividade é a da medida do caudal do dinheiro que corre para certos bolsos, o que se dirá da política! 
E quando os amores vão para coisas insignificantes face ao que acontece na Palestina, na Síria e na Ucrânia, as pessoas ficam cegas e elegem ídolos que tomam conta das tristes vidas dos que vivem para adorar a figura de pessoas, eventualmente simpáticas e talentosas mas que não merecem assim tanta atenção, e cujo poder hipnótico sobre as massas é simultaneamente aproveitado e exagerado por interesses económicos, políticos e ideológicos mais ou menos ocultos. 
Com tanto futebol, não há lugar na cabeça de muitas pessoas para ideias e actividades políticas, sociais, educativas e culturais autênticas. Associado ao negócio que há por detrás do futebol, percebe-se por que lhe é dada tanta visibilidade.
Quem menos tem culpa disto é Messi, que até desvalorizou o prémio. Mas se o futebol é um espelho da realidade, as coisas continuam muito mal para uma realidade distorcida, e mesmo opaca, à semelhança do seu espelho.
 
 

"O alemão Toni Kroos terminou o Mundial como primeiro classificado no Índice de Desempenho Castrol, que em parceria com a FIFA avalia o desempenho de cada jogador no Mundial 2014, utilizando fórmulas matemáticas. 
 

Através deste medidor, a Castrol fez um top 10 e um onze ideal da prova, em que entram o sportinguista Marcos Rojo, mas, curiosamente, o nome de Lionel Messi, eleito pela FIFA o melhor jogador do Mundial, não faz parte da lista.  

 

Top 10:
 
 

Toni Kroos, Alemanha (9,79); Arjen Robben, Holanda (9,74); Stefan de Vrij, Holanda (9,7); Mats Hummels, Alemanha (9,66); Thomas Müller, Alemanha (9,63); Karim Benzema, França (9,6); Oscar, Brasil (9,57); Thiago Silva, Brasil (9,54); Marcos Rojo, Argentina (9,51); e Ron Vlaar, Holanda (9,48).
 

 

Equipa ideal:

 

Guarda-redes Manuel Neuer - 9,33 

 

Defesas: De Vrij - 9,7; Mats Hummels - 9,66; Thiago Silva - 9,54; Rojo - 9,51 

 

Médios: Toni Kroos - 9,79; Oscar - 9,57; Lahm - 9,39; James Rodriguez - 9,37 

 

Avançados: Robben - 9,74; Muller - 9,63"

Alemanha (Germany, Deutschland) 7 - Brasil 1 (em Futebol, Claro) 

 
 
Sim, há política em tudo, dizem-me lamentando a derrota desportiva dos "nossos irmãos" (expressão que não subscrevo, por motivos que deveis compreender), mas é importante ter a noção de que nem tudo é política. Um pastel-de-nata é política? Um pôr-do-Sol é política, uma noite de amor é política? 
Por outro lado, sempre me irritou a paixão irracional, excessiva e doentia dos brasileiros pelo futebol. Não é que serem derrotados os faça ver o mundo de maneira mais lúcida, e mais política. 
Mas, além de a Alemanha ser a minha segunda pátria afectiva e a minha principal pátria cultural, sempre gostei do futebol elegante, simples, eficaz, com recorte técnico (não é só fintar) individual, muito semelhante à Holanda e à Argentina nos seus melhores momentos. Junto com o Brasil e com a Itália do passado, estas sempre foram as melhores selecções. 
Parabéns Alemanha, que não tens culpa de que os portugueses, e não só, sejam parvos e ressentidos (há coisas interessantes de Nietzsche, um alemão, sobre isto), a mendigar à Europa (aos ricos da Europa) em vez de orgulhosos e independentes, mas não sós.
 
Futebol: jogo bonito (embora prefira o ténis e o rugby) mas amaldiçoado pelo negócio, pelo fanatismo e pelo falso patriotismo, com heróis que não merecem a sua grandeza falsa).
 
Fátima: pois era preciso ao Fascismo alienar as pessoas e fazê-las esquecer as indignidades da pobreza e da falta de liberdade com a fantasia de uma deusa com uma preferência especial pelo povo português, ainda por cima portadora de três segredos ou mensagens, o último deles confiado a João Paulo II: a previsão da derrota do comunismo infiel.

 

Fado: apesar do fado popular e profundo da voz autêntica de um Alfredo Marceneiro e do optimismo humanista do inovador Carlos do Carmo, que lhe trouxe uma dimensão moderna e progressista, melodias fortes e de bom gosto, foi o modelo das canções da fatalidade - ó tempo volta para trás!
 
Agora eles os três estão de volta, e com mais aplicação, nesta época em que a fatalidade já não é a morte que não tarda ou a traição de amor imperdoável, nem os excessos dos heróis que a desafiam engrandecendo o Homem, mas a mão invisível dos mercados financeiros e da acumulação industriosa de capital; nesta época em que uma virgem ainda faz arrastar pelo chão portadores de uma culpa inexistente que mascara a raiz do mal social e familiar que outros infelizes ou felizes oportunistas bem sucedidos lhes provocaram; nesta época em que a complexidade incompreensível da realidade humana e os riscos  profissionais de uma escolha política torna atractiva a simplicidade das tabelas da bola, cujos génios são as crianças crescidas que nós fomos, e as pequenas e grandes maldades são personificadas e identificáveis neles e na puerilidade dos seus dirigentes, porque não passa de um jogo e um jogo, com os seus rituais e espírito de bando, não tem consequências fora do campo.