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Filosofia da Terra

Furar o Nevoeiro da Ideologia Burguesa. O Bem, a Verdade e o Belo - Paradigmas Unidos da Vida. Um Olhar e uma Voz Diferentes, Livres, Progressistas e Revolucionárias. Filosofia, Artes, Política, Acontecimentos, Reflexões.

A Grande Teoria da Conspiração

 

 

 

A Grande Teoria da Conspiração

 

 

Há quem acredite nas historietas dos Protocolos dos Sábios de Sião e do Governo Mundial, na cooperação entre Judeus, Comunistas e a Rainha de Inglaterra (não estou a brincar) para instaurar uma Nova Ordem Mundial controlada por eles. Há quem acredite que os governos e poderosos (políticos, banqueiros, mações, ideólogos) dos Estados Unidos da América causam todos os acontecimentos relevantes no mundo, de uma forma predeterminada e encadeada para dominarem e controlarem o planeta e o submeterem através de um sistema financeiro único. Os conflitos no mundo seriam pelos menos o resultado da luta entre vilões globais, como a luta entre Apolo e Vénus na Guerra de Tróia. 

Os conflitos económicos e políticos seriam os meios pelos quais uma ideia gerada por espíritos maléficos se realizaria. Tratar-se-ia de uma ideia original e premeditada de domínio do mundo - uma ideia financeira, pela qual o mal espiritual se estaria a impor materialmente. Esta ideia seria, na verdade, a visão de Satanás, contra o bom espírito de Deus, onde os homens poderiam viver uma bem aventurada existência livre das necessidades materiais, de opor-lhe um império de matéria, não só constituído pela bruta necessidade física como pelos laços, não da amizade e da bondade, mas do dinheiro. Vê-se claramente de onde provém esta história: do ancestral ódio aos judeus e do recente ódio aos comunistas.

A pseudo teoria da conspiração mais famosa é também a mais ridícula e absurda mas uma das que mais prejuízos provoca nas causas do progresso social, do socialismo, na medida, entre outras pseudo teorias, influencia as mentes de pessoas genuinamente empenhadas nessas causas.

Ela é também perigosa porque, em vez de deduzir as contradições sociais de forma objectiva e científica, como o produto do desenvolvimento material e espiritual da Humanidade, explicável pela evolução da Natureza, da consciência e das ideias como reflexo complexo e dialéctico dos processos materiais, assaca a sua responsabilidade a uma vontade incompreensível (ou sobrenatural) de poder, incarnada em certos grupos aparentemente obscuros (reis, mações, comunistas), afastados da vida comum dos homens vulgares, e na elite de certas etnias (judeus, arianos) que procura mandar  materialmente na Terra. 

Superstição, espiritualismo religioso, etnicismo, moral de ressentimento, ódio ao outro, ignorância das leis históricas objectivas da sociedade, incapacidade de definir objectivos concretizáveis e meios de acção política eficazes - são estes os efeitos nefastos e reaccionários de tal crença. Trata-se de um retrocesso a uma mentalidade primitiva, que satisfaz os verdadeiros poderosos deste mundo e afasta do conhecimento os mecanismos que fazem com que estes poderosos o sejam.

Basicamente, reza assim: O homem, orientado por Satanás, continuou ao longo dos milénios a tarefa da mundialização ou globalização. A Nova Ordem Mundial (o Anti-Cristo) começou há muito a ser construída através da entrega da missão a duas seitas ocultistas: os Iluminati e os Bahais. A sua principal missão é criar um sistema financeiro totalmente controlado por pulsos electrónicos. É a mulher sentada em cima da Besta de cor escarlate representada no Apocalipse. Mas a história tem ainda um aspecto retorcido. A Ordem Mundial Iluminati tem como base manter os EUA e os seus aliados no poder. Contudo, vai ao mesmo tempo constituindo-se um novo sistema através da conspiração dos Baha'u'llah, que vão transmitindo as suas ordem aos chefes poderosos, mentalizados pela sua religião e que estão descontentes com os EUA. A Ordem Mundial de Baha'u'llah acabará por criar um executivo mundial, com nove mestres eleitos por si, a Rússia e  China, que irão substituir no poder os EUA. O Anti-Cristo, incarnado por aquela religião, pela Rússia e pela China, mandará na Terra.

Percebe-se agora que esta mistificação expressa o medo dos ocidentais deixarem de ser o centro do mundo e a necessidade arcaica de personificar as forças universais, compreensíveis pela razão mas invisíveis às mentes pouco cultivadas, que, algo misteriosamente, comandam as nossas vidas. As pessoas ainda gostam de ver a História como uma história.

Outras pseudo teorias da conspiração, menos totalizadoras, invadem também muitas cabeças que, noutros usos, até são muito racionais. Deixo à inteligência de cada um o inventário das mesmas. 

A História está cheia de conspirações mas não é uma conspiração. A História não é o resultado de uma coordenação de vontades, pois essas vontades são o produto das condições ou relações objectivas, sobretudo económicas, reflectindo-se em lutas políticas, conflitos militares, relações de produção, etc. 

Esquecer isto é desarmar a esquerda, que vê nas relações de produção e na luta de classes delas resultantes a teoria para reivindicar a justiça concreta para os trabalhadores. É dar razão à direita, que vê na força de vontade, na peleja das ideias, no mérito mental o motor do progresso e a causa das diferenças sociais. Deixem-se de palermices, por favor, porque o progresso social não ganha nada com essas pseudo-teorias.

 

O Voo da Malaysia Airlines e a Diabolização de Putin e do Povo Russo 

As cores do avião abatido são iguais, embora, creio, não pela mesma ordem, às da bandeira da Rússia e, suponho, do avião do presidente russo. Dois caças da força aérea da Ucrânia estavam a seguir de perto o avião abatido minutos depois. A Rússia interditou voos civis abaixo do nível 330 por precaução. O avião estava de facto a esse nível. É claro que é sempre arriscado sobrevoar território em guerra. Mas parece que aquela linha é popular por ser a menos cara em direcção à Asia, um negócio que não se pode perder.  
O governo da Ucrânia tem tudo a ganhar com isto e os insurgentes muito a perder. 
 
 
Além do mais, o poder estadunidense e o da União Europeia tem ao seu serviço tecnologia de desinformação e de manipulação das consciências, que está muito acima do que é capaz a cultura eslava. A realidade, no "Ocidente", copia os filmes. A imagem que se tem do "Ocidente" é a do cinema à maneira de Hollywood, dos telediscos e dos festivais de música de massas. A essência do "Ocidente" é a felicidade enquanto festa permanente. A imagem criada dos outros para os ocidentais é a de que esses outros são bárbaros, culturalmente inferiores e que precisam de ser civilizados, mesmo que à força, porque é para seu bem.
Apesar de a força aérea americana já ter abatido aviões civis (Israel e a URSS também, neste caso por confusão com aviões espiões americanos com aspecto intencional, portanto, criminoso, de civis), resultando em centenas de mortos, estes casos norte-americanos e israelitas foram considerados pela comunicação social como erros e por isso desculpados e rapidamente esquecidos. Este caso não, pelos motivos que alguns conhecem. No entanto, pode ter acontecido que os insurgentes tenham confundido um Antonov ucraniano com o Boeing abatido, pois são aeronaves grandes e não parece ser fácil distingi-los de terra. 
Pouca gente sabe mas há motivos para tanta injecção de ódio nas massas. Nada disto tem a ver com a luta pela liberdade, pela democracia e pelos direitos humanos. Só dois exemplos. Os Estados Unidos e a União Europeia sustentam de Israel o ultranacionalismo, chauvinismo, racismo, opressão e expulsão de um outro povo (palestino), têm uma boa relação, sobretudo económica, mas também militar e política, com a Arábia Saudita, que enforca homossexuais, discrimina as mulheres e financia terroristas. 
Quais os motivos, então, para tanta agressividade contra a Rússia? Simplesmente, a Rússia tem estado blindada contra o controlo da sua economia pelas grandes companhias ocidentais, não se submete aos seus interesses, a fim de defender, num quadro de competição capitalista internacional, as suas empresas, está na frente, através dos BRICS, da implementação de um novo e aparentemente competitivo sistema de financiamento e de crédito, autónomo das instituições FMI e Banco Mundial, controlados pelos Estados Unidos, pondo em causa o domínio do dólar, domínio crucial para a economia imperialista estadunidense. 

Patrão do Pingo Doce Recebe "Prémio Fé e Liberdade" e a Questão dos Direitos Humanos 

 
Hoje em o publico.online:
"O Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica decidiu distinguir Alexandre Soares dos Santos com o prémio Fé e Liberdade, o que está a gerar polémica. Um grupo de mais de 30 personalidades decidiram escrever uma carta à reitora da instituição de ensino superior, onde dizem estar “perplexos” com a decisão.
 
A missiva conta com a assinatura de personalidade de vários quadrantes da sociedade, desde médicos a docentes e investigadores. Entre os signatários destacam-se nomes como o de Frei Bento Domingues, dos jornalistas Jorge Wemans, Paula Moura Pinheiro e António Marujo, dos professores universitários José Mattoso, Rui Vieira Nery, Teresa Toldy e Isabel Allegro de Magalhães.
 
Os autores da carta dizem que “foi com grande perplexidade, tristeza e indignação” que receberam a decisão da entrega do galardão ao ex-presidente do grupo Jerónimo Martins, “designado um dos homens mais ricos de Portugal”. “Por definição, um prémio tem um valor simbólico e testemunhal, pelo que, nas presentes circunstâncias, ocorre perguntar: O que é que se pretende enaltecer? Que valores merecem apreço explícito por parte da Universidade Católica Portuguesa? Quais os conceitos de fé e de liberdade que estão implícitos nesta atribuição?”, questionam."
 
Eu respondo, caso não saibam. Os indignados estão equivocados. A liberdade sempre foi entendida pela burguesia e associados de maneira formalista. Foi por isso - lê-se em O Capital, de Karl Marx - que logo em 1891, em plena Revolução francesa, o governo proibiu a existência de associações de trabalhadores assalariados porque elas atentavam contra os direitos humanos, em especial contra a liberdade (de comprar e vender a força de trabalho). 
 
Direitos Humanos: liberdade de expressão para a defesa dos interesses dos capitalistas; direito à vida quando não estão em causa os direitos dos capitalistas; democracia representativa quando as eleições legitimam mais uns anos de representantes do capitalismo no poder do Estado; direito à propriedade (privada dos meios de produção) para quem a puder ter enquanto o Estado capitalista não tiver que defender interesses capitalistas mais elevados ou a defesa do sistema quando este entra em crise; direito à liberdade de comprar e vender a força de trabalho; direito à justiça quando a propriedade, a vida, a liberdade de expressão e a liberdade de compra e venda do trabalho estiverem em causa, para quem tiver dinheiro para a pagar e quando não puser em causa o sistema capitalista em geral. 

 

Stop TAFTA: Não ao Tratado Transatlântico EUA (USA) - União Europeia (Um Manifesto) 


Mais um atentado em perspectiva conta a soberania, contra a liberdade, contra os direitos sociais, económicos, culturais e políticos. A União Económica Estado Unidense Europeia em formação acelerada.


 
"Les Etats-Unis et l’Union européenne négocient depuis des années, en toute discrétion, la mise en place d’un marché transatlantique. Prévu pour 2015, ce projet implique :la mise en place de nouvelles institutions transatlantiques – comme le Conseil Economique Transatlantique – qui agissent de façon non démocratique (pas de débat parlementaire, représentants non élus) pour influencer un nombre croissant de décisions politiques, l’harmonisation de nombreuses législations européennes et américaines aussi bien sur le plan commercial que sécuritaire, une diplomatie européenne de plus en plus alignée sur celle des USA, la mise en place d’une gouvernance mondiale basée sur les normes marchandes.

Concrètement, le marché transatlantique s’instaure à travers des dizaines d’accords politiques signés entre les Etats-Unis et l’Union européenne (et, pour certains d’entre eux, les parlements nationaux), lesquels concernent tous les domaines de la vie : travail, santé, alimentation… 



Ainsi :
1. Le marché transatlantique uniformise tout ce qui est nécessaire à la libre circulation marchande (biens, services, investissements…) d’un côté à l’autre de l’Atlantique, en choisissant de renforcer prioritairement la « libre-concurrence » et la compétitivité. Cela signifie que les marchés financiers et les firmes multinationales peuvent agir de plus en plus librement sur un espace géographique de plus en plus étendu.
2. Par cette extension géographique de la compétition économique, le marché transatlantique favorise les fusions/acquisitions d’entreprises, donnant aux firmes multinationales un contrôle de plus en plus grand de l’économie et de la finance (en 2005, les 500 plus grandes entreprises contrôlaient déjà la moitié du commerce mondial !) au détriment de nombreuses PME et d’indépendants.
3. Le marché transatlantique menace l’autonomie politique des élus locaux. D’une part, il renforce le pouvoir financier des multinationales alors que certaines d’entre elles sont déjà aussi puissantes que des Etats (ainsi,Toyota est plus riche qu’Israël, Walt-Mart plus riche que la Grèce, Exxon plus riche que l’Autriche…). D’autre part, les accords transatlantiques font le choix de ne pas harmoniser les normes sociales, fiscales ou environnementales, instaurant ainsi une concurrence entre systèmes législatifs qui favorise les pratiques de dumping… au détriment des finances publiques, des conditions de travail, des salaires, de la santé et du bien-être général des populations.
4. Renforçant le pouvoir des marchés financiers et des multinationales sur les pouvoirs politiques locaux, le marché transatlantique menace d’intensifier la privatisation des services publics et de la Sécurité sociale. L’accès universel à des services essentiels (enseignement, transports, culture…),le droit à des pensions dignes, des soins de santé accessibles, des allocations de chômage et des aides sociales minimum et inconditionnelles… Toutes ces conquêtes sociales solidaires, pour lesquelles des générations se sont battues, sont mises en péril.
Le marché transatlantique appauvrira donc considérablement une large partie de la population, et accentuera d’autant plus la pression à la baisse sur les salaires et les conditions de travail.
5. Le marché transatlantique ne répond pas par hasard aux exigences des firmes multinationales. En effet, les décisions politiques qui président à la création de ce marché sont le fruit direct du lobbying de puissantes firmes privées, qui agissent tantôt de façon officieuse, tantôt à titre d’experts officiels. La soumission d’une partie du monde politique aux intérêts privés est ici en cause (à titre d’exemple, près de 8% des parlementaires européens sont membres d’un lobby défendant les intérêts des multinationales : le Transatlantic Policy Network).
6. Loin d’être un espace de liberté pour tous, le marché transatlantique prévoit d’importantes mesures sécuritaires : pour défendre le droit à la propriété intellectuelle, mais aussi pour surveiller plus étroitement les populations. Au nom de la lutte anti-terroriste, les Etats-Unis et l’Union européenne mettent en place des ententes judiciaires, pénales et policières qui contreviennent gravement aux principes même de la démocratie (droit à la vie privée, procès équitable, séparation des pouvoirs…). En définissant l’acte terroriste comme la volonté de déstabiliser un Etat ou de l’influencer dans ses décisions, les législations sécuritaires transatlantiques peuvent être utilisées à des fins répressives contre les syndicats, ONG et mouvements sociaux. Avec, à la clé, des méthodes d’enquêtes spéciales, un fichage généralisé des populations et une remise en cause de certains droits élémentaires de la défense (comme l’interdiction d’accès à des pièces classées «secret défense»).
7. Enfin, le marché transatlantique a également pour but d’étendre les logiques de marché compétitif à l’ensemble de la planète, accordant ainsi aux firmes multinationales un droit d’exploiter les populations et les ressources naturelles sans limites. Le marché transatlantique contribuera donc à l’aggravation de la pauvreté et des inégalités « Nord/Sud », tout en détériorant de plus en plus gravement les écosystèmes, la biodiversité, le climat. Se faisant, il multipliera les réfugiés climatiques, renchérira le prix des denrées de base et hypothèquera l’avenir et le bien-être des générations futures.
8. La dynamique transatlantique poursuit en l’élargissant le processus européen de marché unique, soutenu par les gouvernements nationaux qui occultent trop souvent leurs responsabilités en se cachant derrière les autorités européennes. Pourtant, les pouvoirs nationaux ne sont pas sans pouvoir, ainsi que le prouve leur veto à la décision de la Commission européenne d’autoriser l’importation en Europe de poulets américains traités à l’aide d’agents chimiques (poulets chlorés). Un projet que les Etats sont parvenus à arrêter, même si le bras de fer se poursuit au sein de l’Organisation Mondiale du Commerce. 


Plus que jamais, le danger est grand de voir les rapports sociaux soumis à une logique de plus en plus marchande.
Notre dénonciation des accords marchands entre les Etats-Unis et l’Europe ne doit surtout pas être confondue avec un anti-américanisme primaire. Elle vise par contre une remise en cause des traités qui, de l’Acte Unique européen (1986) au traité de Lisbonne (2009), façonnent l’Europe des marchés au détriment de l’Europe des peuples. Dans cette logique, le marché transatlantique permettra de passer à la vitesse supérieure. Alors qu’il est urgent de faire marche arrière! En tant que citoyens, nous exprimons notre désaccord fondamental avec ce projet :
Qui dépouille le monde politique de ses pouvoirs souverains au profit du marché.
Qui privilégie les intérêts privés du monde des affaires, au détriment des préoccupations démocratiques, sociales, environnementales, sanitaires et humanistes qui sont pour nous des valeurs fondamentales.

Condamnant le marché transatlantique (ainsi que les projets européens ou américains similaires menés avec d’autres pays), nous voulons que nos responsables politiques se positionnent clairement contre ce projet et y mettent un terme en exigeant des institutions européennes (Conseil, Commission, Parlement) :
une remise en cause des accords internationaux accordant des pouvoirs accrus aux firmes privées et aux marchés financiers (via l’extension géographique des «libertés économiques»), une séparation stricte entre les représentants politiques et les lobbys d’affaires, la soumission de responsables politiques à des intérêts purement privés étant en soi inacceptable, des garanties démocratiques de légitimité électorale et de transparence pour les débats et les décisions lorsque des institutions (européennes, transatlantiques, mondiales) existent ou sont mises en place, l’adoption de législations accordant à l’humain, au social et à l’écologie une priorité politique sur les normes marchandes et les exigences commerciales, ce qui implique notamment une régulation et un contrôle public des activités des multinationales et des marchés financiers, la suppression des législations sécuritaires qui contreviennent aux libertés fondamentales et démocratiques".


 

Europa em Perigo: O Império Avança - Não é a Rússia, são os Estados Unidos: O Direito Estado-Unidense Impõe-se em Território Europeu 


 
O império em construção
O direito estadunidense impõe-se em território europeu 
Jean-Claude Paye (Mondialisation)
O mito da UE como bloco político-económico autónomo em relação aos EUA desvanece-se em todos os campos. Mesmo no plano jurídico, é o direito dos EUA que prevalece, mesmo que contrarie o direito dos Estados nacionais e o da própria UE.

A Bélgica e os Estados Unidos acabam de assinar um acordo para aplicar na Bélgica uma lei estado-unidense que luta contra a fraude fiscal, a Foreign Account Tax Compliance Act (FACTA). A assinatura do acordo teve lugar no passado dia 23 de Abril. Vários países, como o Reino Unido, França, Alemanha e Japão, assinaram já acordos com os Estados Unidos para aplicar esta lei no seu território. A partir de 1 de Janeiro de 2015 os estabelecimentos financeiros [belgas] terão de declarar às autoridades estado-unidenses os movimentos das contas cujo proprietário seja um cidadão estado-unidense. Quando o volume da conta supere os 50.000 ou tenha tido lugar determinada quantidade de movimentos com o território estado-unidense o banco terá que estabelecer um relatório preciso das entradas e saídas de fundos. Se um banco não se submete a este procedimento, todas as suas actividades nos Estados Unidos serão sobretaxadas em 30%. A sanção pode chegar até à retirada da licença bancaria nos Estados Unidos.
Estes acordos assinados por países membros da União Europeia (UE) com o governo estado-unidense violam tanto as leis nacionais de protecção de dados pessoais como a Directiva 95/46/CE do Parlamento Europeu e do Conselho de 24de Outubro de 1995 «relativa à protecção das personas físicas relativamente ao tratamento dos dados de carácter pessoal e à livre circulação de estes dados», directiva integrada no direito de todos os Estados membros. A aplicação da FACTA no território do velho continente viola tanto o direito nacional dos países europeus como o da UE. Estas legislações não são suprimidas mas são suspensas. Acordam que não sejam tomadas em conta nas relações com os Estados Unidos.
Acordos anteriores que legalizavam a captura por parte das autoridades estadunidenses de dados de cidadãos europeus procediam da mesma maneira. Desde os atentados de 11 de Setembro de 2001 a sociedade estado-unidense de direito belga Swift enviou clandestinamente ao Departamento do Tesouro estado-unidense dezenas de milhões de dados confidenciais concernentes a operações financeiras dos seus clientes. Esta captura nunca foi objecto de processo judicial apesar de violar de forma flagrante os direitos europeu e belga. Pelo contrário, a UE e os Estados Unidos assinaram vários acordos destinados a legitimá-la [1].
La sociedade Swift estava submetida ao direito belga e ao da comunidade europeia devido a que a sua sede estava localizada em La Hulpe (Bélgica). Esta sociedade também estava submetida ao direito estado-unidense uma vez que o seu segundo servidor estava localizado em território estado-unidense, o que permitia ao governo estado-unidense apropriar-se directamente dos dados. Assim, esta sociedade escolheu violar o direito europeu para se submeter às exigências do executivo estado-unidense. Entretanto, desde 2009 os dados Swift intereuropeus já não são transferidos para os Estados Unidos, mas para um segundo servidor europeu. Mas embora os estadunidenses já não tenham acesso directo aos dados, estes são transmitidos, a seu pedido, em «pacotes» e apenas eles controlam tecnicamente o processo de tratamento das informações. Para além disso, logo após a assinatura dos acordos já os estado-unidenses tinham colocado novas exigências. Já em 2009 o governo estado-unidense tinha declarado «que se tinham que captar as transacções entre os bancos europeus e estado-unidenses mesmo que não houvesse uma necessidade provada».
Do mesmo modo a UE nunca se opôs à entrega dos dados das listas de passageiros por parte das companhias aéreas situadas no seu território. As informações comunicadas compreendiam os apelidos do passageiro, o seu nome, endereço, número de telefone, data de nascimento, nacionalidade, número de passaporte e sexo, bem como o endereço durante a estadia nos Estados Unidos, o itinerário das deslocações, os contactos em terra e os seus dados médicos. Também estavam incluídas informações bancárias (como a forma de pagamento, o número do cartão de crédito) e os hábitos alimentares que permitissem revelar práticas religiosas. A iniciativa unilateral estado-unidense de se apoderar destes dados foi imediatamente aceite pela parte europeia, que teve que suspender as suas legislações para responder às exigências estado-unidenses [2].
A técnica é idêntica nestes dois casos, o dos passageiros de linhas aéreas e o caso Swift. De facto, não se trata de acordos jurídicos entre duas partes, entre duas potências formalmente soberanas. Apenas existe uma parte, o governo estado-unidense que de facto se dirige directamente aos cidadãos europeus. Em ambos textos o poder executivo estado-unidense reafirma o seu direito a dispor dos seus dados pessoais e dessa forma exerce directamente a sua soberania sobre os cidadãos da UE.
O primado do direito estado-unidense no território europeu é também um dos desafios das negociações para estabelecer um grande mercado transatlântico, o Acordo Transatlântico sobre Comercio e Investimento (Transatlantic Trade and Investment Partnership, TTIP).
Em nome da livre concorrência as empresas estadunidenses poderão, graças ao TTIP, denunciar um Estado que lhes negue autorização de exploração de gás de xisto* ou que imponha normas alimentares ou padrões sociais. Este sistema de resolução de divergências poderia permitir aos estado-unidenses abolir partes inteiras da regulamentação europeia criando precedentes jurídicos perante a justiça privada estado-unidense. Com efeito, o princípio de introduzir este mecanismo foi aceite pelos europeus na competência de negociação outorgada à Comissão em Junho de 2013 pelos ministros do comércio europeus. A instância privilegiada para estas arbitragens é o Centro Internacional de Resolução de Divergências relativas a Investimento (CIADI), um órgão dependente do Banco Mundial e com sede em Washington, cujos juízes, advogados ou professores de direito são nomeados caso por caso: um árbitro designado pela empresa demandante, um pelo Estado de Washington e o terceiro pelo secretário-geral do CIADI [3].
Se este procedimento, parcialmente aceite, entra em jogo no quadro de um futuro grande mercado transatlântico, o direito europeu desvanecer-se-á uma vez mais, neste caso perante uma jurisdição privada situada em território estado-unidense, em que a parte estado-unidense desempenhará um papel determinante.
*Jean-Claude Paye é sociólogo, autor de El final del Estado de derecho, Hondarribia, Hiru, 2010, e de L’Emprise de l’image. De Guantanamo à Tarnac. Editions Yves Michel, Novembro 2011.
Notas:

[1] Jean-Claude Paye, “Las transacciones financieras internacionales bajo control estadounidense”, 30 de Maio de 2009, http://www.rebelion.org/noticia.php?id=86205

[2] Jean-Claude Paye, «L’espace aérien sous contrôle impérial», Mondialisation.ca, 15 de Outubro de 2007, http://www.mondialisation.ca/l-espace-a-rien-sous-contr-le-imp-rial/7080 [Veja-se em castelhano sobre o mesmo tema, “Pasajeros europeos bajo el control de EEUU”, http://www.rebelion.org/noticia.php?id=57828].
 
* O gás de xisto é o que é extraído por meio de fractura hidráulica (fracking).
[3] Convenção para a resolução de divergências relativas ao investimento entre Estados e cidadãos de outros Estados, International Centre for Settlement of Investissement Disputes (ICSID), capítulo da arbitragem, Artigo 37, https://icsid.worldbank.org/ICSID/StaticFiles/basicdoc-fra/partA-chap04.htm#s02
Fonte: http://www.mondialisation.ca/lempire-en-construction-le-droit-etasunien-simpose-sur-le-territoire-europeen/5384195