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Filosofia da Terra

Furar o Nevoeiro da Ideologia Burguesa. O Bem, a Verdade e o Belo - Paradigmas Unidos da Vida. Um Olhar e uma Voz Diferentes, Livres, Progressistas e Revolucionárias. Filosofia, Artes, Política, Acontecimentos, Reflexões.

A Causa LGBT e o Padrão dos Descobrimentos

 

Numa fotografia postada no Facebook com alguns famosos apoiantes da causa Homossexual e sexualidades alternativas (LGBT), aparece, infelizmente para eles, o Padrão dos Descobrimentos. 

Alguém comentava que estava ali a mais. Muitos mais comentários se seguiram contra o Padrão. Na fotografia ou na cidade? Esta gente contestatária (ou já suficientemente integrada pela fase comercial do capitalismo?), cujos motivos prezo por uma questão básica do direito à diferença na realização da sua vida, ainda não aprendeu com os erros e crimes do passado.  

Quando os protestantes se emancipavam da tutela do Papa decidiram livrar as igrejas dos símbolos católicos. Foi uma catástrofe cultural e artística. 

Claro que agora seria difícil fazem o mesmo. Mas é preciso lembrar-lhe a ideia, também básica, mas geralmente esquecida, de que não somos só nos, ou eles, que existimos, no passado, no presente e no futuro, e que a História é, por assim dizer, a nossa mãe, a nossa pátria.

 

 

Não sejam iconoclastas! O Padrão dos Descobrimentos por causa do colonialismo, o Panteão de Roma por causa da escravatura, o Convento de Mafra por causa do Absolutismo, o Palácio da Pena por causa do romantismo real indiferente à pobreza do povo, o Palácio de Versailles por causa da ostentação dos reis, Os Lusíadas por causa da glorificação dos colonizadores, A Divina Comédia por causa dos muçulmanos e dos judeus, o Mosteiro de Alcobaça por causa da alienação religiosa, O Coliseu de Roma por causa dos cristãos atirados aos leões, a arena do Campo Pequeno por causa dos touros atirados aos cristãos, o Centro Cultural de Belém por causa de Cavaco Silva, o Pavilhão de Portugal por causa do nacionalismo, etc. Depois ficaríamos com quê?

Dia D (D Day) - A Revisão da História

pelo Império dos Estados Unidos da América 

 

Um texto notável de Manuel Augusto Araújo no blogue Praça do Bocage, cuja republicação autoriza.
 
http://pracadobocage.wordpress.com/2014/06/09/o-poder-simbolico/

O PODER SIMBÓLICO


Pierre Bourdieu, no seu ensaio “O Poder Simbólico” (Difel,Memória e Sociedade, 1994), defende a tese “ O poder simbólico é esse poder invisível, o qual só pode ser exercido com a cumplicidade daqueles que não querem saber que lhes estão sujeitos ou mesmo que o exercem. Poder quase mágico, que permite obter o equivalente daquilo que é obtido pela força (física ou económica), só se exerce se for reconhecido, quer dizer, ignorado como arbitrário.”
"Lembrei-me desta brilhante tese de Bourdieu ao ver as comemorações dos setenta anos do Dia D, o desembarque na Normandia das tropas dos EUA, Inglaterra e França Livre.
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De como esse dia é glorificado como sendo o dia que marcou a viragem na II Guerra Mundial e o princípio da viragem a favor dos aliados, URSS, Inglaterra, EUA, França, contra as forças do Eixo. É uma reversão da história da guerra que coloca os norte-americanos como os grandes salvadores d Europa da barbárie nazi. Apaga-se com uma monumental manobra de propaganda, dos meios de comunicação social aos estudos históricos e ao cinema, a verdadeira e factual história da II Guerra Mundial. Nisso os norte-americanos são mestres. A saga da conquista do Oeste é exemplar nas centenas de filmes em que glorificam os cowboys, acentuando o mito do justiceiro solitário, o triunfo do individualismo, o embrião do american way of life, transformando uma história de inomináveis brutalidades e arbitrariedades na mitologia dourada do Oeste Selvagem. Cormac McCarthy, baseado em factos históricos ocorridos na fronteira entre os EUA e o México, em meados do séc. XIX, desmonta e subverte essa cosmogonia ao narrar a violência que foi essa expansão, no romance “Meridiano de Sangue”
O Dia D, procura iludir que a derrota da Alemanha nazi estava em marcha depois das vitórias soviéticas em Estalinegrado (1943) e, sobretudo, Kursk (1943), a maior batalha de blindados de todo os tempos, com as maiores perdas aéreas num só dia de guerra.
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Enormes perdas de vidas humanas, de aparatos militares, de recursos económicos para os soviéticos, consequência dos sucessivos adiamentos da abertura de uma frente ocidental, muito reclamada por Estaline, acusando Churchill e Roosevelt de estarem a poupar vidas ocidentais às custas de vidas soviéticas. Hoje muitos historiadores põe em causa a influência do Dia D, no curso da guerra. Três quartos das forças nazis estavam na Frente Oriental, recuavam frente ao Exército Vermelho, quando, finalmente, em 6 de Julho de 1944, se invadiu a Normandia.
Essa entronização do Dia D, tem outros efeitos menos visíveis mas igualmente importantes. Atira para plano longínquo o facto de Hitler ascender ao poder político apoiado pelos grandes conglomerados industriais alemães, nomeadamente I.G.Farben, Thyssen, Krupps, todas largamente beneficiárias do trabalho escravo recrutado nos campos de concentração. Grupos económicos onde Rockfeller, Rothschild e outros tinham participações significativas. A I.G.Farben o gigante da indústria química da Alemanha era uma divisão da Standard Oil de Rockfeller. Esses magnatas norte-americanos financiaram de boa vontade Hitler.
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Não só esses foram fortes esteios da Alemanha nazi. Prescott Bush, avô de George Bush, um especulador financeiro de Wall Street que até esteve implicado num golpe militar contra Roosevelt em 1934 para impor um regime fascista nos EUA, foi um grande financiador do Partido Nazi, através do Union City Bank. Também será de lembrar que outro magnata norte-americano Henry Ford, também com investimentos não negligenciáveis na Alemanha nazi, fez o elogio do Ku Klux Klan do seu “genuíno “americanismo”. Muito admirado pêlos ideólogos nazis, Henry Ford, condenava a Revolução Bolchevique acusando-a de ser o produto de uma conspiração judaica. Fundou até uma revista, o Oearborn Independent, cujos artigos publicados foram reunidos em 1920 num único volume intitulado “O Judeu Internacional”. O livro transformou-se numa referência central do anti-semitismo internacional. Foi traduzido para alemão e adquiriu grande popularidade. Nazis destacados, como Von Schirach e Himmler reconheceram ter sido inspirados ou motivados por Ford. Segundo Himmler, o livro de Ford desempenhou um papel “decisivo” não só na sua formação pessoal, como também na do Führer. Os estrénuos campeões da liberdade e da democracia apoiaram e financiaram os nazis, bem depois de a guerra ter começado.
O Dia D, inventado e celebrado como o dia que decidiu a vitória dos aliados, estende um diáfano manto sobre esses factos históricos. Foi de facto importante. Foi sobretudo uma vitória dos EUA, do império norte-americano. A II Grande Guerra foi terminante  para que os EUA, que com a I Grande Guerra tinha alcançado uma época de prosperidade sem precedentes,  impusessem o seu poder no mundo.
Foi a II Guerra Mundial que possibilitou a crise financeira de 1929 se resolvesse. O New Deal de Roosevelt, iniciado em 1932, no pico da crise, introduziu uma forte intervenção do Estado na economia. Procurando regular os mercados e o funcionamento da Bolsa, impedindo investimentos especulativos e de alto risco. Impulsionando uma forte política de investimento na construção civil com um programa intenso de obras públicas, a New Deal começou em força, foi perdendo fulgor e estava a avançar muito devagar. A guerra resolveu os problemas dessa crise capitalista. Obrigou os governos a fazer encomendas gigantescas de aço, máquinas, peças, artefactos que mobilizaram toda a indústria. O problema do desemprego, há que o dizer com toda a brutalidade, resolveu-se com a mobilização de milhões de desempregados e com os milhões de seres humanos mortos nos campos de batalha
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e fora deles com bombardeamentos a alvos industriais e civis.Leia-seMatadouro Cinco de Kurt Vonnegut, soldado americano prisioneiro de guerra em Dresden, quando norte-americanos e ingleses bombardearam indiscriminada e desnecessariamente essa cidade, cercada pelo Exército Vermelho, à beira de se render. Um livro duro, duríssimo em que as descrições muito estilo Vonnegut são hilariantes sem permitir gargalhadas. Livro alvo de vários ataques da intelligentsia norte-americana que negaram até ser impossível, a brutalidade dessa realidade, agora também branqueada depois da queda do Muro de Berlim, em que só falta ressuscitar centenas de milhares de mortos.

O Dia D foi e é fundamental para o poder simbólico ocultar o poder real e efectivo como se conseguiu em Bretton Woods, instituindo os instrumentos de dominação financeira dos EUA. O BIRD, Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento que seria mais tarde dividido entre o Banco Mundial e o Banco para Investimentos Internacionais, e o Fundo Monetário Internacional (FMI). As principais disposições do sistema Bretton Woods foram a obrigação de cada país adoptar uma política monetária que mantivesse a taxa de câmbio de suas moedas dentro de um determinado valor indexado ao dólar, cujo valor, por sua vez, estaria ligado ao ouro numa base fixa de 35 dólares por onça troy. Dotar o FMI de financiamento para suportar dificuldades temporárias de pagamento. Na ausência de um mercado europeu forte para os bens e serviços estado-unidenses a economia dos EUA seria incapaz de sustentar a prosperidade que alcançara durante a guerra. Teoria claramente exposta por Bernard Baruch, financeiro, conselheiro de presidentes e congressistas, que sintetizou o espírito de Bretton Woods no início de 1945: “se eliminarmos o subsídio ao trabalho e à competição acirrada nos mercados exportadores, bem como prevenir a reconstrução de máquinas de guerra, que prosperidade a longo termo nós teremos.” Assim, os Estados Unidos usaram a sua posição dominante para restaurar uma economia mundial aberta, unificada sob controlo dos EUA, que deu aos EUA acesso ilimitado a mercados e matéria-prima.
Tudo se acentuou quando, em 1971, frente às pressões crescentes na procura global por ouro, depois da libra esterlina se ter afundado deixando de ser moeda de troca no comércio internacional, Richard Nixon, então presidente dos Estados Unidos, suspendeu unilateralmente o sistema de Bretton Woods, cancelando a conversibilidade directa do dólar em ouro O domínio passou a ser global, com uma moeda padrão no comércio internacional, o dólar. Com uma moeda a progressivamente ocupar o lugar do ouro nas reservas dos bancos centrais.
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Era só por a tipografia a imprimir a nota verde, como a até hoje e, perigosamente, o têm feito. Ficaram com as mãos ocupadas com a máquina de impressão e livres para manipularem a dívida externa, como o fizeram, reduzindo-a contabilisticamente de uma penada em 35%. Um forrobodó que tem feito os EUA viver à conta dos outros países e que só nos últimos anos está a ser posto em causa com a emergência de outros pólos económicos, com outros países a fazer as trocas comerciais em euros ou nas suas moedas nacionais, reduzindo a importância do dólar, o maior produto de exportação dos EUA. Cientes da sua fragilidade defendem com ameaças, canhões e propaganda o seu império, porque quem continuar a  exercer poder unipolar que tem na dólar  e na sua força militar o principal instrumento de dominação.

O Dia D tem pouco significado para o fim da guerra. Tem um enorme significado simbólico para os EUA. Sobretudo agora, quando são uma grande potência militar e uma potência económica em decadência. Um brutal perigo para a paz mundial como se tem observado nos últimos anos. O poder simbólico do Dia D, o modo como foi construído e mantido ao longo de setenta anos, ensina-nos a ver a importância da manipulação histórica e informativa na formação da opinião pública."

Obama Defende a Militarização da Europa em Defesa dos Valores do Ocidente Face à Ameaça de Yekaterina Gubareva

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Yekaterina Gubareva, foreign minister and first lady of the “Donetsk People’s Republic”

 

Comemorando em público a visita de Obama a países de Leste, um comentador notório de o publico.pt, soltou hoje o seguinte palavreado épico:

Estamos com os nossos aliados, na defesa do nosso modo de vida, sem medo de quaisquer inimigos que queiram por em causa as nossas liberdades e a nossa democracia.

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Mas eu pergunto. Que outro modo de vida, que outras liberdades, que outra democracia são opostos aos nossos? Os poderosos da Europa de Leste apenas nos estão a tentar imitar, com excessos de capitalismo à solta e de maneira ainda tosca. Os dos islâmicos?
Mas não são os Estados Unidos, referência dos valores sublimes do Ocidente, que sustentam ambiguamente o fundamentalismo islâmico e promovem com a sua política de desestabilização e de dividir para reinar governos tirânicos, oligárquicos, corruptos e guerras directas, por conta de outrem e fratricidas, não são os Estados Unidos, dizia, a conduzirem essa área do globo para a regressão civilizacional?
Estamos mais próximos do reino da Arábia Saudita, das belas democracias turcas e mexicanas do que da Rússia, ódio de estimação conveniente para as nossas bandas deste que na Idade Média Alexandre Neviski derrotou as invasões suecas, bálticas e alemãs?

 

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Estamos mais perto – nós os cosmopolitas, ideólogos globalizadores do capitalismo – de reconhecer as aspirações de independência da Catalunha, do País Basco, da Córsega, da Escócia, se os povos assim decidirem, do que de reconhecer – e que direitos temos nós de nos reservarmos esse reconhecimento? – a cessação da Crimeia e a independência do Leste da Ucrânia?

 

 

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Estamos mais perto de políticos e de outras personagens que representaram o nosso modo de vida, liberdades e democracia como Nixon, Hitler, Pinochet, Passos Coelho, Tujman, Blair, teocratas do Vaticano, oligarcas dos Estados Unidos e do México, do que de Pedro o Grande, de Catarina II da Rússia, Lenine, Putin? Ressalvemos as diferenças de grandeza em cada uma das listas, mas qual será a diferença de qualidade?

 


A Ordem Natural das Coisas - Henrique Raposo e os Comunistas

 

 
"A ordem natural das coisas" (Henrique Raposo) é a maneira como as coisas devem existir porque existem e se existem é porque é da natureza das coisas existirem assim ou deverem existir assim porque é assim que as coisas devem existir. 
Era desta maneira que Aristóteles (de resto muito acima do acéfalo Raposo, pelo qual já passou a teoria da evolução sem muito proveito - será que a existência de Raposo falsifica Darwin e repõe Aristóteles no ambiente jornalístico dominante na actualidade?), era assim dizia, que Aristóteles pensava há mais de dois mil anos. 
Para infelicidade de Aristóteles, e de Raposo, o mundo dele só tinha que ser assim até ter deixado de ser assim, só era a ordem natural das coisas enquanto as coisas não deixaram de ser a sua ordem natural e terem desaparecido para sempre tal como eram. O esclavagismo morreu como sistema sócio-económico e, dessa maneira, Raposo já não pode ser o escravo dócil de algum senhor dono de uma mina de prata, para infelicidade de Raposo e nossa. 
Veio a Idade Média e os escravistas tornaram-se senhor feudais, senhores de servos, de terras, de reinos e das guerras. Também São Tomás de Aquino viu nisso a ordem natural das coisas e tão assim que via com algum incómodo o surgimento de uma classe poderosa e empreendedora apoiada pelos judeus usuários, mas, pasme-se vindo do teórico principal da Igreja, foi suficientemente traidor à ordem natural das coisas quando teve a ideia conciliadora de que a usura, como novidade na sua força, até pode entrar no sistema, para financiar a guerra, os reis e os papas, se não for suficientemente forte para se transformar numa forma de acumulação tal que mudaria por completo a ordem natural das coisas tal como Tomás, como emissário de Deus, exigia que assim fosse.
Mas, como sempre, o material tem sempre razão e aquela ordem natural das coisas foi deposta por uma nova ordem natural das coisas - aquela onde Raposo vive, da qual Raposo vive e tira os seus rendimentos a proclamar a eternidade da sua ordem natural das coisas com a qual vive mesmerizado. 
É por isso que Raposo acha um escândalo ontológico que a ordem natural das coisas possa ser insuficientemente ordenada ao ponto de permitir o facto anti-natural da existência no seu seio da peçonha dos comunistas, que deveriam ser banidos, talvez mediante uma alteração civilizada e burguesa do sistema eleitoral, talvez mediante uma campanha eficiente, e também humanitariamente burguesa, sobre a maldade inerente à condição comunista, ou talvez através do seu extermínio higiénico necessário ao bom funcionamento do estado natural das coisas no melhor dos mundos possíveis tal como Leibniz, o teria definido, embora Leibniz não tenha tido qualquer influência ideológica sobre o Reino dos Mil Anos de Hitler. 
 
 
Mas talvez os comunistas, à semelhança dos judeus usuários que derrubaram o feudalismo por dentro das contradições da ordem natural das coisas, contribuam também para que a nossa ordem natural das coisas passe a ser uma desordem das coisas antinaturais quando o seu tempo tiver passado, quando as Horas já não conseguirem guiar o Carro do Sol que ilumina a vida que sobreviveu à selecção natural e enche os bolsos de Raposo. É por isso que Henrique Raposo não quer que os comunistas façam parte da ordem natural das coisas de que ele tanto gosta.

O PCP é a nossa Le Pen

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  18:00 Quarta feira, 28 de maio de 2014
Num país que tem um dos partidos mais extremistas da Europa (PCP), é sempre engraçado assistir às súbitas indignações em relação à extrema-direita europeia. Sim senhora, a extrema-direita é perigosa, mas convém não esquecer que Portugal respira a peçonha da extrema-esquerda. O "extremismo" está no centro da nossa vida política. Portanto, se querem entrar no mercado da indignação, indignem-se com as posições diárias do PCP, porque a extrema-esquerda não faz parte da ordem natural das coisas, a extrema-esquerda não tem de fazer parte da mobília, a extrema-esquerda não é aquela tia velhinha que temos de respeitar mesmo quando passa o jantar a dizer palavrões. Se Le Pen é nacionalista, o PCP também é. 

 
 

 

 
“A Ciência pode ser encarada sob dois aspectos diferentes. Ou se olha para ela tal como vem exposta nos livros de ensino, como coisa criada, e o aspecto é o de um todo harmonioso, onde os capítulos se encadeiam em ordem, sem contradições. Ou se procura acompanhá-la no seu desenvolvimento progressivo, assistir à maneira como foi sendo elaborada, e o aspecto é totalmente diferente – descobrem-se hesitações, dúvidas, contradições, que só um longo trabalho de reflexão e apuramento consegue eliminar, para que logo surjam outras hesitações, outras dúvidas, outras contradições.”
“Se não receio o erro, é porque estou sempre disposto a corrigi-lo”
“O homem desiludido e pessimista é um ser inerte, sujeito a todas as renúncias, a todas as derrotas – e derrotas só existem aquelas que se aceitam.”


“A cultura tem que reivindicar-se para a colectividade inteira, porque só com ela pode a humanidade tomar consciência de si própria.”


“Conseguirá a Humanidade, num grande estremecimento de todo o seu imenso corpo, tomar finalmente consciência de si mesma, revelar a si própria a sua alma colectiva, feita do desenvolvimento ao máximo, pela cultura, da personalidade de todos os seus membros?”


“A obra de Newton, contemporâneo de Bach, tem, na física, o mesmo carácter de majestade, de segurança, de universalidade da obra de Bach em música.”

"As ilusões nunca são perdidas. Elas significam o que há de melhor na vida dos homens e dos povos. Perdidos são os cépticos que escondem sob uma ironia fácil a sua impotência para compreender e agir; perdidos são aqueles períodos da história em que os melhores, gastos e cansados, se retiram da luta, sem enxergarem no horizonte nada a que se entreguem, caída uma sombra uniforme sobre o pânatano estéril da vida sem formas.Benditas as ilusões, a adesão firme e total a qualquer coisa de grande, que nos ultrapassa e nos requer. Sem ilusão, nada de sublime teria sido realizado, nem a catedral de Estrasburgo, nem as sinfonias de Beethoven. Nem a obra imortal de Galileo".


 «O que é o homem culto? É aquele que:

1.º Tem consciência da sua posição no cosmos e, em particular, na sociedade a que pertence;
2.º Tem consciência da sua personalidade e da dignidade que é inerente à existência como ser humano;
3.º Faz do aperfeiçoamento do seu ser interior a preocupação máxima e fim último da vida.

Ser-se culto não implica ser-se sábio; há sábios que não são homens cultos e homens cultos que não são sábios; mas o que o ser culto implica, é um certo grau de saber, aquele que precisamente que fornece uma base mínima para a satisfação das três condições enunciadas.»

Bento de Jesus Caraça, no seu texto «A cultura integral do indivíduo» (conferência proferida na União Cultural « Mocidade Livre», em 25 de Maio de 1933)
 

Bento Jesus Caraça - GALILEO GALILEI

GALILEO GALILEI

 

VALOR CIENTÍFICO E VALOR MORAL DA SUA OBRA!(*)

 

(por Bento Jesus Caraça)

 
MINHAS SENHORAS E MEUS SENHORES:
No dia 22 de Junho de 1633, faz hoje trezentos anos, quem pudesse ter penetrado numa certa sala do convento de Minerva, em Roma, teria assistido a uma cena singular.
Um velho de setenta anos ouvia, perante um tribunal constituído por dez cardeais, a leitura deste documento estranho:
"Nós (seguem os nomes e os títulos dos cardeais) pela misericórdia de Deus, Cardeais da Santa Igreja Romana, delegados especialmente como Inquisidores gerais da Santa Sé Apostólica, contra a maldade herética, da República Cristã.
"Sendo certo que tu, Galileo, filho de Vincenzo Galilei, florentino, de setenta anos de idade, foste denunciado em 1615 a este Santo Ofício por teres como verdadeira a falsa doutrina, ensinada por alguns, que o Sol seja centro do mundo e imóvel, e que a Terra se mova, ainda de movimento diurno; por, acerca da mesma, teres correspondência com alguns matemáticos da Germânia; por teres dado à estampa cartas intituladas "Das manchas Solares", nas quais explicavas a mesma doutrina como verdadeira; por, às objecções que às vezes te faziam tiradas da Sagrada Escritura, responderes interpretando a dita Escritura, conforme o teu sentido;
"E tendo sucessivamente sido apresentada cópia dum manuscrito, sob a forma de carta, a qual se dizia ter sido escrita por ti, a um tal teu discípulo, e nessa, seguindo a posição de Copérnico, se conterem várias proposições contra o verdadeiro sentido e autoridade da Sagrada Escritura;
"Querendo por isto este Sacro Tribunal dar providências contra a desordem e o dano que de aqui provinha e andava crescendo com prejuízo da Santa Fé;
"Por ordem de Nosso Senhor e dos Eminentíssimos e Reverendíssimos Senhores Cardeais desta Suprema e Universal Inquisição, foram, pelos Qualificadores Teólogos, qualificadas as duas proposições da estabilidade do Sol e do movimento da Terra do seguinte modo:
"Que o Sol seja centro do mundo e imóvel de movimento local, é proposição absurda e falsa em filosofia, e formalmente herética, por ser expressamente contrária à Sagrada Escritura;
"Que a Terra não seja centro do mundo nem imóvel, mas que se mova, ainda de movimento diurno, é igualmente proposição absurda e falsa em filosofia, e considerada em teologia ad minis errónea em Fé.
"Mas querendo-se naquele tempo proceder para contigo com benignidade, foi decretado na Sacra Congregação reunida diante de Nosso Senhor a 25 de Fevereiro de 1616, que o Eminentíssimo Cardeal Bellarmino te ordenasse que tu devesses totalmente abandonar a dita opinião falsa e que, recusando tu tal fazeres, te fosse pelo Comissário do Santo Ofício intimado que deixasses a dita doutrina e que não pudesses ensiná-la a outros, nem defendê-la, nem tratar dela, e que, se não te conformasses com a intimação, fosses encarcerado;
"Em execução do mesmo decreto, no dia seguinte, no mesmo palácio e na presença do acima dito Eminentíssimo Senhor Cardeal Bellarminio, depois de teres sido pelo mesmo Senhor Cardeal benignamente avisado e admoestado, te foi pelo Comissário do Santo Oficio daquele tempo intimado, com notário e testemunhas, que totalmente devesses abandonar a dita falsa opinião e que no futuro a não pudesses sustentar, nem defender, nem ensinar de qualquer maneira, nem pela voz nem pelo escrito, e tendo tu prometido obedecer, foste mandado em paz.
"E a fim de que tolhesse inteiramente tão perniciosa doutrina e não andasse caminhando mais, com grave prejuízo da verdade católica, saiu um decreto da Sacra Congregação do Índice, por meio do qual foram proibidos os livros que tratam de tal doutrina e foi esta declarada falsa e totalmente contrária à Sagrada e Divina Escritura.
"E tendo ultimamente aparecido aqui um livro, estampado em Florença no ano passado, cuja inscrição mostrava que fosses tu o seu autor, dizendo o título: "Diálogos de Galileo Galilei acerca dos dois Máximos Sistemas do Mundo, Ptolomaico e Copernicano"; e informada depois a Sacra Congregação de que, com a impressão do dito livro, cada vez mais tomava pé e se disseminava a falsa opinião do movimento da Terra e da estabilidade do Sol; foi o dito livro diligentemente considerado e nele achada expressamente a transgressão do preceito que te foi intimado, tendo tu no mesmo defendido a opinião já condenada e na tua face por tal declarada, acontecendo que tu, no dito livro, procuras persuadir que a deixas como indecisa e expressamente provável, o que também é erro gravíssimo, não podendo de nenhum modo ser provável uma opinião declarada e definida por contrário à Escritura Divina.
"Por isso, por nossa ordem foste chamado a este Santo Ofício, no qual, com o teu juramento, examinado, reconheceste o livro como por ti composto e dado à estampa. Confessaste que, cerca de dez ou doze anos depois de te ter sido feita a intimação como acima, começaste a escrever o dito livro; que pediste autorização para o estampar sem porém significares àqueles que te deram semelhante faculdade que te tinha sido ordenado não sustentar, defender, nem ensinar de qualquer modo tal doutrina.
"E parecendo a nós que tu não tinhas dito inteiramente a verdade acerca da tua intenção, julgamos ser necessário proceder a um rigoroso exame de ti; no qual sem porém prejuízo algum das coisas por ti confessadas e contra ti deduzidas como acima acerca da tua intenção, respondeste catolicamente.
"Portanto, vistos e maduramente considerados os méritos desta tua causa, com as supraditas tuas confissões e escusas e quanto de razão se devia ver e considerar, chegámos contra ti à infra-escrita sentença:
"Invocando o Santíssimo Nome de Nosso Senhor Jesus Cristo e da gloriosíssima Mãe sempre virgem Maria;
"Por esta nossa definitiva sentença, a qual, pro tribunali, de conselho e parecer dos Reverendíssimos Mestres de Sacra Teologia e Doutores unius utriusque iuris, nossos consultores, proferimos nestes escritos, na causa e causas pendentes ante nós entre o Magnífico Carlo Sinceri, doutor unius utriusque iuris, Procurador Fiscal deste Santo Ofício, duma parte e tu, Galileo Galilei ante-dito, réu aqui presente, inquirido, processado e confesso como acima, da outra parte:
"Dizemos, pronunciamos, sentenciamos e declaramos que tu, Galileo supra-dito, pelas coisas deduzidas no processo e por ti confessadas como acima, te tornaste veementemente suspeito de heresia, a saber, por teres sustentado e crido doutrina falsa e contrária às Sagradas e Divinas Escrituras, que o Sol seja centro da Terra e que não se mova de oriente para ocidente e que a Terra se mova e não seja centro do mundo, e que se possa ter e defender por provável uma opinião depois de ter sido declarada e definida por contrária à Sagrada Escritura;
"E consequentemente estás incurso em todas as censuras e penas dos sagrados cânones e outras constituições gerais e particulares contra semelhantes delinquentes impostas e promulgadas.
"Das quais nos apraz absolver-te desde que primeiro, com coração sincero e fé não fingida, diante de nós, abjures, maldigas e detestes os supra-ditos erros e heresias e qualquer outro erro e heresia contrária à Igreja Católica e Apostólica, pelo modo e forma que por nós te será dada.
"E, a fim que este teu grave e pernicioso erro e transgressão não fique de todo impune, e sejas mais cauto para o futuro e exemplo a outros para que se abstenham de semelhantes delitos, ordenamos que, por público édito, seja proibido o livro dos "Diálogos de Galileo Galilei".
"Te condenamos ao cárcere formal neste Santo Ofício ao nosso arbítrio; e por penitência salutar te impomos que pelos três próximos anos digas uma vez por semana os sete salmos penitenciais, reservando para nós a faculdade de moderar, mudar ou levantar, no todo ou em parte, as supra-ditas penas e penitencias.
"E assim dizemos, pronunciamos, sentenciamos, declaramos, ordenamos e reservamos, nisto e em tudo o mais, do melhor modo e forma que de razão podemos e devemos." (Seguem as assinaturas de sete dos dez cardeais).
Seguidamente o acusado ajoelhou e, com as mãos sobre os Evangelhos, leu em voz alta este outro documento, para esse fim expressamente confeccionado por mão alheia:
"Eu, Galileo Galilei, filho do falecido Vincenzo Galilei, de Florença, de minha idade setenta anos, constituído pessoalmente em juízo e ajoelhado diante de vós Eminentíssimos e Reverendíssimos Cardeais, inquisidores gerais em toda a República Cristã contra a maldade herética;
"Tendo diante dos meus olhos os sacrossantos Evangelhos, os quais toco com as minhas próprias mãos, juro que sempre cri, creio agora, e com a ajuda de Deus crerei para o futuro, tudo aquilo que afirma, prega e ensina a Santa Igreja Católica Apostólica.
"Mas visto que, por este Santo Oficio, por haver eu (depois de me ter intimado juridicamente pelo mesmo que abandonasse totalmente a falsa opinião que o Sol seja centro do mundo e que não se mova e que a Terra não seja centro do mundo e que se mova, e que não pudesse afirmar, defender nem ensinar de qualquer modo, pela voz ou pelo escrito, a dita falsa doutrina, e depois de me ter sido notificado que a dita doutrina é contrária à Sagrada Escritura) escrito e dado à estampa um livro no qual trato a mesma doutrina já condenada e empregado argumentos com muita eficácia a favor dela, sem dar nenhuma solução, fui julgado veementemente suspeito de heresia, por haver dito e crido que o Sol seja centro do mundo e imóvel, e a Terra não seja centro e se mova;
"Portanto, querendo eu afastar da mente das Eminências Veneráveis e de todo o fiel cristão esta veemente suspeição, justamente de mim concebida, com coração sincero e fé não fingida, abjuro, amaldiçoo e detesto os supraditos erros e heresias, e geralmente qualquer outro erro, heresia e seita contrária à Santa Igreja; e juro que para o futuro não mais direi nem afirmarei, pela voz ou pelo escrito, coisas tais que por elas se possa haver de mim semelhante suspeição; mas, se conhecer algum herético, ou que seja suspeito de heresia, o denunciarei a este Santo Oficio, ou ao Inquisidor ou Ordinário do lugar onde me encontrar.
"Juro ainda e prometo cumprir e observar inteiramente todas as penitências que me foram impostas, ou vierem a ser, por este Santo Oficio;
"E, no caso de transgredir algumas das ditas promessas ou juramentos, o que Deus não queira, submeto-me a todas as penas e castigos pelos sagrados cânones e outras constituições gerais e particulares contra semelhantes delinquentes impostas e promulgadas.
"Assim Deus me ajude e estes seus santos Evangelhos, que toco com as minhas próprias mãos.
"Eu, Galileo Galilei, abjurei, jurei, prometi e me obriguei como acima; e, em fé do verdadeiro, pela minha própria mão subscrevi a presente cédula da minha abjuração e a recitei de palavra em palavra, em Roma, no convento de Minerva, neste dia 22 de Junho de 1633."
Quando terminou a leitura deste acto de abjuração, acabara de viver-se um dos momentos mais dramáticos da história da ciência e da história do homem no mundo ocidental.
O choque violento entre duas ideias exigira, na sua fase culminante, o esmagamento, o rebaixamento aviltante, muito para além das fronteiras do humano, de um homem de ciência, um gigante cuja obra se levanta, aos nossos olhos de homens do século XX, como um monumento luminoso na linha incerta que separa duas épocas.
O que é que produzira uma tão grande brutalidade na luta, e porque razão encontramos uma congregação, órgão da Igreja Católica, obrigando um homem a tão desumana humilhação.
Vamos procurar responder a estas perguntas, pondo em evidência a verdadeira significação, do duplo ponto de vista moral e científico, dos factos que acabamos de recordar.
Frans Masereel, o poderoso artista criador de imagens, condensou, numa sucessão emocionante de gravuras, a história da Ideia. História comovente, que começa com a criação duma divindade nua, saída bruscamente da cabeça do homem, num lampejo inspiração, e a acompanha nas várias fases da sua vida entre outros homens, desde o momento em que ela, desembaraçando-se das vestes com que a multidão quer encobrir as suas formas, se lança numa correria louca pelo mundo, até àquele outro momento em que, voltando para junto do homem que a criou, o encontra exaltado na criação de nova divindade. Momento trágico esse, vida das Ideias, momento que decide do seu destino. Umas morrem enquanto se realiza triunfalmente a criação de outras - e é esse o desfecho pessimista que nos apresenta Masereel; outras porém resistem a essa prova suprema e continuam a sua carreira no mundo. De que lutas é cheia essa carreira! Quantos obstáculos há que vencer, de quantas ciladas que fugir, quantas tentativas de assassinato que evitar!
São essas ideias imortais que fazem o progresso da humanidade, e é na força com que se batem por elas que reside o valor moral dos homens e das gerações.
Mas há ainda outra categoria de ideias - aquelas que, não tendo poder de vitalidade que Ihes permita viver após a criação de outras, conseguem no entanto sobreviver-se a si próprias, transformando-se em fantasmas do que eram. Esse grupo das ideias fantasmas é ,aquele em cujo nome se fere a luta contra as ideias criadoras. A sua fronte está virada para o passado, e é para o seu passado que querem levar as sociedades, esperando assim reencontrar o ambiente que Ihes restitua a vida que perderam.
Que homem há que não tenha notado à sua volta o efeito paralisador das ideias fantasmas e as não tenha sentido a batalhar mesmo dentro de si próprio, procurando subjugá-lo, arrasta-lo para aquelas regiões sombrias onde não chega a luz fulgente das ideias imortais?
Que homem há, mesmo entre os de espírito mais aberto e mais livre, que não tenha sentido essa luta, mormente neste atormentado começo do século XX, em que um monstro na agonia, para se dar a ilusão de que ainda tem direito a viver, faz apelo a um imenso cortejo de espectros, de ideias fantasmas, para que elas Ihe propiciem e justifiquem todos os arrancos senis, todas as vilanias?
E quantas vezes, na luta cruenta e desleal que esse cortejo promove, julgam as ideias fantasmas certa a vitória, porque conseguiram espetar as adversárias nas pontas das baionetas, ou amarra-las ao potro da tortura!
Pretensão falaz! Para as proscritas. abrem-se de par em par as Portas das consciências, e daí, reconfortadas por um calor vivificante, surgem depois, mais belas no esplendor da sua nudez, mais no seu poder criador.
É a história, duma dessas ideias imortais - a ideia do heliocentrismo - que desejo traçar aqui, procurando acompanhá-la, e de caminho a alguma outras, a cuja sorte ela esteve ligada, nas fases mais significativas da sua vida."
* BENTO DE JESUS CARAÇA 1901-1948
(Extracto da Conferência realizada na Universidade Popular Portuguesa em 22 de Junho de 1933)
 
Futebol: jogo bonito (embora prefira o ténis e o rugby) mas amaldiçoado pelo negócio, pelo fanatismo e pelo falso patriotismo, com heróis que não merecem a sua grandeza falsa).
 
Fátima: pois era preciso ao Fascismo alienar as pessoas e fazê-las esquecer as indignidades da pobreza e da falta de liberdade com a fantasia de uma deusa com uma preferência especial pelo povo português, ainda por cima portadora de três segredos ou mensagens, o último deles confiado a João Paulo II: a previsão da derrota do comunismo infiel.

 

Fado: apesar do fado popular e profundo da voz autêntica de um Alfredo Marceneiro e do optimismo humanista do inovador Carlos do Carmo, que lhe trouxe uma dimensão moderna e progressista, melodias fortes e de bom gosto, foi o modelo das canções da fatalidade - ó tempo volta para trás!
 
Agora eles os três estão de volta, e com mais aplicação, nesta época em que a fatalidade já não é a morte que não tarda ou a traição de amor imperdoável, nem os excessos dos heróis que a desafiam engrandecendo o Homem, mas a mão invisível dos mercados financeiros e da acumulação industriosa de capital; nesta época em que uma virgem ainda faz arrastar pelo chão portadores de uma culpa inexistente que mascara a raiz do mal social e familiar que outros infelizes ou felizes oportunistas bem sucedidos lhes provocaram; nesta época em que a complexidade incompreensível da realidade humana e os riscos  profissionais de uma escolha política torna atractiva a simplicidade das tabelas da bola, cujos génios são as crianças crescidas que nós fomos, e as pequenas e grandes maldades são personificadas e identificáveis neles e na puerilidade dos seus dirigentes, porque não passa de um jogo e um jogo, com os seus rituais e espírito de bando, não tem consequências fora do campo.
 

 

Há uma coisa que gostaria de saber: por que não se comemora o Dia da Vitória contra o Nazi-fascismo por estas bandas? Neste dia de 1945, nas grandes cidades da Europa Ocidental e nos Estados Unidos houve grandes celebrações. Mas parece que só agora a Rússia (com alguns países vizinhos) o comemora. Que estranho, para um dos mais importantes dias da História da Humanidade. Deixa-me a pensar certas coisas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Também na Ucrânia se festejou, apesar do governo