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Filosofia da Terra

Furar o Nevoeiro da Ideologia Burguesa. O Bem, a Verdade e o Belo - Paradigmas Unidos da Vida. Um Olhar e uma Voz Diferentes, Livres, Progressistas e Revolucionárias. Filosofia, Artes, Política, Acontecimentos, Reflexões.

A Grande Teoria da Conspiração

 

 

 

A Grande Teoria da Conspiração

 

 

Há quem acredite nas historietas dos Protocolos dos Sábios de Sião e do Governo Mundial, na cooperação entre Judeus, Comunistas e a Rainha de Inglaterra (não estou a brincar) para instaurar uma Nova Ordem Mundial controlada por eles. Há quem acredite que os governos e poderosos (políticos, banqueiros, mações, ideólogos) dos Estados Unidos da América causam todos os acontecimentos relevantes no mundo, de uma forma predeterminada e encadeada para dominarem e controlarem o planeta e o submeterem através de um sistema financeiro único. Os conflitos no mundo seriam pelos menos o resultado da luta entre vilões globais, como a luta entre Apolo e Vénus na Guerra de Tróia. 

Os conflitos económicos e políticos seriam os meios pelos quais uma ideia gerada por espíritos maléficos se realizaria. Tratar-se-ia de uma ideia original e premeditada de domínio do mundo - uma ideia financeira, pela qual o mal espiritual se estaria a impor materialmente. Esta ideia seria, na verdade, a visão de Satanás, contra o bom espírito de Deus, onde os homens poderiam viver uma bem aventurada existência livre das necessidades materiais, de opor-lhe um império de matéria, não só constituído pela bruta necessidade física como pelos laços, não da amizade e da bondade, mas do dinheiro. Vê-se claramente de onde provém esta história: do ancestral ódio aos judeus e do recente ódio aos comunistas.

A pseudo teoria da conspiração mais famosa é também a mais ridícula e absurda mas uma das que mais prejuízos provoca nas causas do progresso social, do socialismo, na medida, entre outras pseudo teorias, influencia as mentes de pessoas genuinamente empenhadas nessas causas.

Ela é também perigosa porque, em vez de deduzir as contradições sociais de forma objectiva e científica, como o produto do desenvolvimento material e espiritual da Humanidade, explicável pela evolução da Natureza, da consciência e das ideias como reflexo complexo e dialéctico dos processos materiais, assaca a sua responsabilidade a uma vontade incompreensível (ou sobrenatural) de poder, incarnada em certos grupos aparentemente obscuros (reis, mações, comunistas), afastados da vida comum dos homens vulgares, e na elite de certas etnias (judeus, arianos) que procura mandar  materialmente na Terra. 

Superstição, espiritualismo religioso, etnicismo, moral de ressentimento, ódio ao outro, ignorância das leis históricas objectivas da sociedade, incapacidade de definir objectivos concretizáveis e meios de acção política eficazes - são estes os efeitos nefastos e reaccionários de tal crença. Trata-se de um retrocesso a uma mentalidade primitiva, que satisfaz os verdadeiros poderosos deste mundo e afasta do conhecimento os mecanismos que fazem com que estes poderosos o sejam.

Basicamente, reza assim: O homem, orientado por Satanás, continuou ao longo dos milénios a tarefa da mundialização ou globalização. A Nova Ordem Mundial (o Anti-Cristo) começou há muito a ser construída através da entrega da missão a duas seitas ocultistas: os Iluminati e os Bahais. A sua principal missão é criar um sistema financeiro totalmente controlado por pulsos electrónicos. É a mulher sentada em cima da Besta de cor escarlate representada no Apocalipse. Mas a história tem ainda um aspecto retorcido. A Ordem Mundial Iluminati tem como base manter os EUA e os seus aliados no poder. Contudo, vai ao mesmo tempo constituindo-se um novo sistema através da conspiração dos Baha'u'llah, que vão transmitindo as suas ordem aos chefes poderosos, mentalizados pela sua religião e que estão descontentes com os EUA. A Ordem Mundial de Baha'u'llah acabará por criar um executivo mundial, com nove mestres eleitos por si, a Rússia e  China, que irão substituir no poder os EUA. O Anti-Cristo, incarnado por aquela religião, pela Rússia e pela China, mandará na Terra.

Percebe-se agora que esta mistificação expressa o medo dos ocidentais deixarem de ser o centro do mundo e a necessidade arcaica de personificar as forças universais, compreensíveis pela razão mas invisíveis às mentes pouco cultivadas, que, algo misteriosamente, comandam as nossas vidas. As pessoas ainda gostam de ver a História como uma história.

Outras pseudo teorias da conspiração, menos totalizadoras, invadem também muitas cabeças que, noutros usos, até são muito racionais. Deixo à inteligência de cada um o inventário das mesmas. 

A História está cheia de conspirações mas não é uma conspiração. A História não é o resultado de uma coordenação de vontades, pois essas vontades são o produto das condições ou relações objectivas, sobretudo económicas, reflectindo-se em lutas políticas, conflitos militares, relações de produção, etc. 

Esquecer isto é desarmar a esquerda, que vê nas relações de produção e na luta de classes delas resultantes a teoria para reivindicar a justiça concreta para os trabalhadores. É dar razão à direita, que vê na força de vontade, na peleja das ideias, no mérito mental o motor do progresso e a causa das diferenças sociais. Deixem-se de palermices, por favor, porque o progresso social não ganha nada com essas pseudo-teorias.


A Tragédia Actual dos Cristãos no Mundo

A Tragédia Actual dos Cristãos no Mundo 

Bíblia, Crónicas: "12 E entraram no pacto de buscarem ao Senhor, Deus de 
seus pais, de todo o seu coração e de toda a sua alma; 13 e de que todo aquele que não buscasse ao Senhor, Deus de Israel, fosse morto, tanto pequeno como grande, tanto homem como mulher". (de Almeida).
 
 
 
Bíblia: Êxodo 32: 28

"A Tribo de Levi não se envolveu com o incidente do Bezerro de ouro.

Aliás, não foram todos os Hebreus que se envolveram. 

A diferença dos Levitas diante dos outros Hebreus que também não se envolveram foi que os demais ficaram passivos. 

Mas a tribo de Levi combateu os autores do Bezerro de Ouro!

Quando Moisés convocou quem tomaria vingança contra aquela idolatria, foram os Levitas que se apresentaram para caçar os Idolatras!

Os Levitas agiram de forma decisiva e naquele dia mataram cerca de três mil pessoas. 

Esta execução sumaria demonstra a revolta de Deus pela profanação de seu culto. 

Devemos crer e entender que o julgamento de Deus é sempre justo. 

O que tem que ser observado não é o fato de três mil haverem morrido, mas a multidão que havia sido poupada. 

O julgamento caiu sobre aqueles que publicamente decidiram recusar o arrependido e se permanecer em rebelião".
 
 
Sahih International
Corão: 9: 29: "Fight those who do not believe in Allah or in the Last Day and who do not consider unlawful what Allah and His Messenger have made unlawful and who do not adopt the religion of truth from those who were given the Scripture - [fight] until they give the jizyah willingly while they are humbled".
 
 
 
A tradução portuguesa de que me servi (www.ebooksbrasil.org/eLibris/alcorao) parece ser abreviada. Ei-la, juntando outra suras da 9ª Surata:
 
"29 Combatei aqueles que não crêem em Deus e no Dia do Juízo Final, nem abstêm do que Deus e Seu Mensageiro proibiram, e nem professam a verdadeira religião daqueles que receberam o Livro, até que, submissos, paguem o Jizya.(573)
30 Os judeus dizem: Ezra é filho de Deus; os cristãos dizem: O Messias é filho de Deus. Tais são as palavras de suas bocas; repetem, com isso, as de seus antepassados incrédulos. Que Deus os combata! Como se desviam!
31 Tomaram por senhores seus rabinos e seus monges em vez de Deus, assim como fizeram com o Messias, filho de Maria, quando não lhes foi ordenado adorar senão a um só Deus. Não há mais divindade além d’Ele! Glorificado seja pelos parceiros que Lhe atribuem!
32 Desejam em vão extinguir a Luz de Deus com as suas bocas; porém, Deus nada permitirá, e aperfeiçoará a Sua Luz, ainda que isso desgoste os incrédulos.
33 Ele foi Quem enviou Seu Mensageiro com a Orientação e a verdadeira religião, para fazê-la prevalecer sobre todas as outras, embora isso desgostasse os idólatras".
 
 
 
Por aquilo que aqui se lê, tanto a Bíblia como o Corão (Alcorão) não pecam pela tolerância.  Todavia, coisa aparentemente estranhas se passam no nosso tempo, como se os cristãos (?) poderosos cuidassem menos dos seus, enquanto culturalmente filiados, do que daqueles que, sendo seres humanos e iguais nos direitos fundamentais universais, por vezes massacram cristãos pacíficos.
Um dos motivos exponho-o a seguir: os Estados Unidos fazem jogo duplo com os islamistas ou os mais radicais dos muçulmanos: usam-nos, financiam-nos e armam-nos quando é do seu interesse geoestratégico (fizeram-no na ex-Jugoslávia, no Afeganistão, na Líbia, na Síria e noutros países); combatem-nos quando já não tê utilidade ou para agredir outros países. 
Nesse jogo os cristãos perdem sempre. Parece que os Estados Unidos não querem saber se estão a destruir a raiz cultural da Europa (ainda que ela não deva ser organizada em Estados confessionais e a religião deva ser uma questão privada) ou estão a massacrar cristãos que já viviam no Médio Oriente antes do Islão existir ou noutras regiões onde viveram muito tempo em coexistência pacífica.

 

 

O Voo da Malaysia Airlines e a Diabolização de Putin e do Povo Russo 

As cores do avião abatido são iguais, embora, creio, não pela mesma ordem, às da bandeira da Rússia e, suponho, do avião do presidente russo. Dois caças da força aérea da Ucrânia estavam a seguir de perto o avião abatido minutos depois. A Rússia interditou voos civis abaixo do nível 330 por precaução. O avião estava de facto a esse nível. É claro que é sempre arriscado sobrevoar território em guerra. Mas parece que aquela linha é popular por ser a menos cara em direcção à Asia, um negócio que não se pode perder.  
O governo da Ucrânia tem tudo a ganhar com isto e os insurgentes muito a perder. 
 
 
Além do mais, o poder estadunidense e o da União Europeia tem ao seu serviço tecnologia de desinformação e de manipulação das consciências, que está muito acima do que é capaz a cultura eslava. A realidade, no "Ocidente", copia os filmes. A imagem que se tem do "Ocidente" é a do cinema à maneira de Hollywood, dos telediscos e dos festivais de música de massas. A essência do "Ocidente" é a felicidade enquanto festa permanente. A imagem criada dos outros para os ocidentais é a de que esses outros são bárbaros, culturalmente inferiores e que precisam de ser civilizados, mesmo que à força, porque é para seu bem.
Apesar de a força aérea americana já ter abatido aviões civis (Israel e a URSS também, neste caso por confusão com aviões espiões americanos com aspecto intencional, portanto, criminoso, de civis), resultando em centenas de mortos, estes casos norte-americanos e israelitas foram considerados pela comunicação social como erros e por isso desculpados e rapidamente esquecidos. Este caso não, pelos motivos que alguns conhecem. No entanto, pode ter acontecido que os insurgentes tenham confundido um Antonov ucraniano com o Boeing abatido, pois são aeronaves grandes e não parece ser fácil distingi-los de terra. 
Pouca gente sabe mas há motivos para tanta injecção de ódio nas massas. Nada disto tem a ver com a luta pela liberdade, pela democracia e pelos direitos humanos. Só dois exemplos. Os Estados Unidos e a União Europeia sustentam de Israel o ultranacionalismo, chauvinismo, racismo, opressão e expulsão de um outro povo (palestino), têm uma boa relação, sobretudo económica, mas também militar e política, com a Arábia Saudita, que enforca homossexuais, discrimina as mulheres e financia terroristas. 
Quais os motivos, então, para tanta agressividade contra a Rússia? Simplesmente, a Rússia tem estado blindada contra o controlo da sua economia pelas grandes companhias ocidentais, não se submete aos seus interesses, a fim de defender, num quadro de competição capitalista internacional, as suas empresas, está na frente, através dos BRICS, da implementação de um novo e aparentemente competitivo sistema de financiamento e de crédito, autónomo das instituições FMI e Banco Mundial, controlados pelos Estados Unidos, pondo em causa o domínio do dólar, domínio crucial para a economia imperialista estadunidense. 

Paixões por Leonel Messi e "Objectividade" Matemática 

 
 
Mesmo não dando muita importância ao futebol e sem acreditar muito na objectividade estatística aplicada ao valor dos desportistas, dá que pensar. E só por dar que pensar para além das quatro linhas do campo onde corre uma bola redonda, mas que é mais redonda só para alguns - simbolizando a vida real -, é que publico isto. 
Se no futebol, as paixões cegam e deixam-se manipular por interesses ocultos, cuja objectividade é a da medida do caudal do dinheiro que corre para certos bolsos, o que se dirá da política! 
E quando os amores vão para coisas insignificantes face ao que acontece na Palestina, na Síria e na Ucrânia, as pessoas ficam cegas e elegem ídolos que tomam conta das tristes vidas dos que vivem para adorar a figura de pessoas, eventualmente simpáticas e talentosas mas que não merecem assim tanta atenção, e cujo poder hipnótico sobre as massas é simultaneamente aproveitado e exagerado por interesses económicos, políticos e ideológicos mais ou menos ocultos. 
Com tanto futebol, não há lugar na cabeça de muitas pessoas para ideias e actividades políticas, sociais, educativas e culturais autênticas. Associado ao negócio que há por detrás do futebol, percebe-se por que lhe é dada tanta visibilidade.
Quem menos tem culpa disto é Messi, que até desvalorizou o prémio. Mas se o futebol é um espelho da realidade, as coisas continuam muito mal para uma realidade distorcida, e mesmo opaca, à semelhança do seu espelho.
 
 

"O alemão Toni Kroos terminou o Mundial como primeiro classificado no Índice de Desempenho Castrol, que em parceria com a FIFA avalia o desempenho de cada jogador no Mundial 2014, utilizando fórmulas matemáticas. 
 

Através deste medidor, a Castrol fez um top 10 e um onze ideal da prova, em que entram o sportinguista Marcos Rojo, mas, curiosamente, o nome de Lionel Messi, eleito pela FIFA o melhor jogador do Mundial, não faz parte da lista.  

 

Top 10:
 
 

Toni Kroos, Alemanha (9,79); Arjen Robben, Holanda (9,74); Stefan de Vrij, Holanda (9,7); Mats Hummels, Alemanha (9,66); Thomas Müller, Alemanha (9,63); Karim Benzema, França (9,6); Oscar, Brasil (9,57); Thiago Silva, Brasil (9,54); Marcos Rojo, Argentina (9,51); e Ron Vlaar, Holanda (9,48).
 

 

Equipa ideal:

 

Guarda-redes Manuel Neuer - 9,33 

 

Defesas: De Vrij - 9,7; Mats Hummels - 9,66; Thiago Silva - 9,54; Rojo - 9,51 

 

Médios: Toni Kroos - 9,79; Oscar - 9,57; Lahm - 9,39; James Rodriguez - 9,37 

 

Avançados: Robben - 9,74; Muller - 9,63"

A Shell e a limpeza étnica no Dombass (Ucrânia) 

 
por Olga Chetverikova
.
O exército ucraniano continua uma ofensiva em grande escala contra as Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk. O bombardeio indiscriminado provoca mais mortes civis. Sistemas de lançamento múltiplo de foguetesGradUragan e Smerch foram utilizados em Nikolaevka e praticamente arrasaram da terra esta área populosa. Não há ligação com a cidade de modo que é impossível saber exactamente o número de mortos. Quarteirões residenciais de Semionovka e Slavyansk são regularmente sujeitos a bombardeamento. Os sistemas de saúde em Slavyansk não funcionam; a cidade está cercada e bloqueada. Carros que tentam sair são alvejados.

Os pormenores do banho de sangue devem ser estudados antes de ser tornarem conhecidos publicamente. Em fins de Janeiro de 2013, quando o antigo presidente Yanukovych ainda estava no poder, o governo ucraniano e a Royal Dutch Shell redigiram (inked) o primeiro grande acordo de partilha de lucros (profit sharing agreement) para 50 anos de exploração de shale gas. A Shell planeia desenvolver o campo Yuzov nas regiões de Donetsk e Kharkiv. Em Junho de 2014 a companhia confirmou sua intenção de avançar com o acordo tão logo o conflito fosse desescalado e a situação estabilizasse. A informação acerca do acordo é classificada. O governo ucraniano alegadamente não pode recusar a extensão dos seus termos. O território a ser explorado tem 7886 quilómetros quadrados, incluindo Krasny Liman, Seversk, Yasnogorsk, Kamyshevka, etc.

De acordo com o artigo 37.2 do acordo, os residentes locais têm de vender a suas terras e propriedades. No caso de recusa devem ser coagidos a vender a fim de atender os interesses da Shell. As despesas da companhia devem ser compensadas pela Ucrânia a expensas do gás produzido.

.O governo assumiu a responsabilidade de encontrar uma solução para todos os problemas com autoridades locais.

Também há outros actores envolvidos em projectos shale gas na Ucrânia:

  • Eurogas Ukraine, algumas das suas acções são de propriedade da British Macallan Oil & Gas (UK) Ltd, a qual pertence à Euro Gas estado-unidense (ver abaixo mapa das concessões na Ucrânia);
  • Burisma Holdings , em que Hunter Biden , filho do vice-presidente dos EUA, é membro do conselho de administração.
    Este é o principal objectivo daqueles que lançaram a chamada "operação anti-terrorista", ou a carnificina do Donbass. Eles querem estabelecer controle total sobre as regiões de Donetsk e Lugansk para abrir caminho para a extracção de shale gas (80-140 mil furos). Assim, terras aráveis não seriam utilizadas para finalidades agrícolas; casas e igrejas terão de ser destruídas para erguer infraestruturas de produção gasistas. A Ucrânia orgulha-se dos seus 27% deterra negra . Terá de vendê-la ao estrangeiro. É difícil fazer isso em tempo de paz, mas o tempo de guerra muda um bocado as coisas. É importante reduzir a população deixando apenas aquela que for necessária para extrair gás. O novo presidente da municipalidade de Krasny Liman, nomeado por Turchinov depois de as tropas ucranianas tomarem a cidade, prometeu aos habitantes locais criar novos postos de trabalho para substituir aqueles que haviam perdido durante a guerra devido aos danos em instalações industriais .

    Muitos acreditam que se a resistência for suprimida, o controle sobre as regiões de Donetsk e Ligansk permitirá isolar a Rússia de uma grande parte do mercado europeu de gás. Peritos acreditam que a situação ficará mais clara no Outono de 2014.

    A questão explodiu no mês passado após comentários de uma fonte improvável:   o secretário-geral da NATO, Anders Fogh Rasmussen. Aquele responsável normalmente reservado, que raramente comenta sobre assuntos energéticos, disse em 19 de Junho ao think tank londrino Chatham House que a Rússia estava, como ele disse, a apoiar secretamente alguns ambientalistas europeus anti-fracking a fim de impedir a Europa de aderir à revolução shale gas dos EUA – e portanto manter o continente dependente de exportações de gás russo. Rasmussen afirmou que aliados da NATO haviam detectado manipulação russa em "refinadas operações de informação e desinformação" dentro de bem organizados grupos anti-fracking da Europa.

    A Lei de Prevenção da Agressão Russa (Russian Aggression Prevention Bill) de 2014 foi ao Senado dos EUA em 1 de Maio num ataque violento em ano eleitoral contra a política da administração, em que oito republicanos conduzidos pelo Lider do Partido Republicano Mitch McConnell anunciaram um pacote de penalizações à Rússia, assistência à NATO e exportações de gás natural dos EUA. Os senadores disseram ter esperança de assegurar apoio dos democratas e, no mínimo, forçar a Casa Branca a desenvolver uma estratégia coesa ao invés das suas respostas ad hoc. Isso significa que o objectivo de estabelecer controle sobre as reservas da região Donetsk-Dneprovsk transformou a guerra contra o povo local numa operação de extermínio. Morticínio em massa e propagação do medo, transformando habitantes locais em refugiados, tornaram-se as ferramentas principais de implementação da política das autoridades que tomaram o poder em Kiev após o golpe. Elas servem os interesses de companhias transnacionais ao se envolverem na limpeza étnica da população russa do Donbass. Vidas humanas, normas do direito internacional e regras para travar guerras contemporâneas nada significam para os responsáveis pelo banho de sangue. Alguns peritos (E. Gilbo, por exemplo) dizem que já foram feitas estimativas de quantas pessoas deveriam permanecer naquelas regiões.

    Em 4 de Julho o responsável das formações de auto-defesa da República Popular de Donetsk , Igor Strelkov, disse que se a Rússia não alcançar um acordo sobre cessar fogo e não lançar uma operação para fazer a paz, a cidade de Slavyansk com sua população de 30 mil habitantes será varrida da terra em uma ou duas semanas.


    P.S. Durante muitas semanas as formações de auto-defesa distraíram grandes forças do exército ucraniano, mantendo-as concentradas em torno da assediada Slavyank. Posteriormente, em 5 de Junho, unidades da milícia romperam o cerco a fim de ganhar liberdade de acção fora daquela limitada área de batalha.
    06/Julho/2014

    Concessões à Eurogas.
    Ver também: 
  • The important roles of Slavyansk

Europa em Perigo: O Império Avança - Não é a Rússia, são os Estados Unidos: O Direito Estado-Unidense Impõe-se em Território Europeu 


 
O império em construção
O direito estadunidense impõe-se em território europeu 
Jean-Claude Paye (Mondialisation)
O mito da UE como bloco político-económico autónomo em relação aos EUA desvanece-se em todos os campos. Mesmo no plano jurídico, é o direito dos EUA que prevalece, mesmo que contrarie o direito dos Estados nacionais e o da própria UE.

A Bélgica e os Estados Unidos acabam de assinar um acordo para aplicar na Bélgica uma lei estado-unidense que luta contra a fraude fiscal, a Foreign Account Tax Compliance Act (FACTA). A assinatura do acordo teve lugar no passado dia 23 de Abril. Vários países, como o Reino Unido, França, Alemanha e Japão, assinaram já acordos com os Estados Unidos para aplicar esta lei no seu território. A partir de 1 de Janeiro de 2015 os estabelecimentos financeiros [belgas] terão de declarar às autoridades estado-unidenses os movimentos das contas cujo proprietário seja um cidadão estado-unidense. Quando o volume da conta supere os 50.000 ou tenha tido lugar determinada quantidade de movimentos com o território estado-unidense o banco terá que estabelecer um relatório preciso das entradas e saídas de fundos. Se um banco não se submete a este procedimento, todas as suas actividades nos Estados Unidos serão sobretaxadas em 30%. A sanção pode chegar até à retirada da licença bancaria nos Estados Unidos.
Estes acordos assinados por países membros da União Europeia (UE) com o governo estado-unidense violam tanto as leis nacionais de protecção de dados pessoais como a Directiva 95/46/CE do Parlamento Europeu e do Conselho de 24de Outubro de 1995 «relativa à protecção das personas físicas relativamente ao tratamento dos dados de carácter pessoal e à livre circulação de estes dados», directiva integrada no direito de todos os Estados membros. A aplicação da FACTA no território do velho continente viola tanto o direito nacional dos países europeus como o da UE. Estas legislações não são suprimidas mas são suspensas. Acordam que não sejam tomadas em conta nas relações com os Estados Unidos.
Acordos anteriores que legalizavam a captura por parte das autoridades estadunidenses de dados de cidadãos europeus procediam da mesma maneira. Desde os atentados de 11 de Setembro de 2001 a sociedade estado-unidense de direito belga Swift enviou clandestinamente ao Departamento do Tesouro estado-unidense dezenas de milhões de dados confidenciais concernentes a operações financeiras dos seus clientes. Esta captura nunca foi objecto de processo judicial apesar de violar de forma flagrante os direitos europeu e belga. Pelo contrário, a UE e os Estados Unidos assinaram vários acordos destinados a legitimá-la [1].
La sociedade Swift estava submetida ao direito belga e ao da comunidade europeia devido a que a sua sede estava localizada em La Hulpe (Bélgica). Esta sociedade também estava submetida ao direito estado-unidense uma vez que o seu segundo servidor estava localizado em território estado-unidense, o que permitia ao governo estado-unidense apropriar-se directamente dos dados. Assim, esta sociedade escolheu violar o direito europeu para se submeter às exigências do executivo estado-unidense. Entretanto, desde 2009 os dados Swift intereuropeus já não são transferidos para os Estados Unidos, mas para um segundo servidor europeu. Mas embora os estadunidenses já não tenham acesso directo aos dados, estes são transmitidos, a seu pedido, em «pacotes» e apenas eles controlam tecnicamente o processo de tratamento das informações. Para além disso, logo após a assinatura dos acordos já os estado-unidenses tinham colocado novas exigências. Já em 2009 o governo estado-unidense tinha declarado «que se tinham que captar as transacções entre os bancos europeus e estado-unidenses mesmo que não houvesse uma necessidade provada».
Do mesmo modo a UE nunca se opôs à entrega dos dados das listas de passageiros por parte das companhias aéreas situadas no seu território. As informações comunicadas compreendiam os apelidos do passageiro, o seu nome, endereço, número de telefone, data de nascimento, nacionalidade, número de passaporte e sexo, bem como o endereço durante a estadia nos Estados Unidos, o itinerário das deslocações, os contactos em terra e os seus dados médicos. Também estavam incluídas informações bancárias (como a forma de pagamento, o número do cartão de crédito) e os hábitos alimentares que permitissem revelar práticas religiosas. A iniciativa unilateral estado-unidense de se apoderar destes dados foi imediatamente aceite pela parte europeia, que teve que suspender as suas legislações para responder às exigências estado-unidenses [2].
A técnica é idêntica nestes dois casos, o dos passageiros de linhas aéreas e o caso Swift. De facto, não se trata de acordos jurídicos entre duas partes, entre duas potências formalmente soberanas. Apenas existe uma parte, o governo estado-unidense que de facto se dirige directamente aos cidadãos europeus. Em ambos textos o poder executivo estado-unidense reafirma o seu direito a dispor dos seus dados pessoais e dessa forma exerce directamente a sua soberania sobre os cidadãos da UE.
O primado do direito estado-unidense no território europeu é também um dos desafios das negociações para estabelecer um grande mercado transatlântico, o Acordo Transatlântico sobre Comercio e Investimento (Transatlantic Trade and Investment Partnership, TTIP).
Em nome da livre concorrência as empresas estadunidenses poderão, graças ao TTIP, denunciar um Estado que lhes negue autorização de exploração de gás de xisto* ou que imponha normas alimentares ou padrões sociais. Este sistema de resolução de divergências poderia permitir aos estado-unidenses abolir partes inteiras da regulamentação europeia criando precedentes jurídicos perante a justiça privada estado-unidense. Com efeito, o princípio de introduzir este mecanismo foi aceite pelos europeus na competência de negociação outorgada à Comissão em Junho de 2013 pelos ministros do comércio europeus. A instância privilegiada para estas arbitragens é o Centro Internacional de Resolução de Divergências relativas a Investimento (CIADI), um órgão dependente do Banco Mundial e com sede em Washington, cujos juízes, advogados ou professores de direito são nomeados caso por caso: um árbitro designado pela empresa demandante, um pelo Estado de Washington e o terceiro pelo secretário-geral do CIADI [3].
Se este procedimento, parcialmente aceite, entra em jogo no quadro de um futuro grande mercado transatlântico, o direito europeu desvanecer-se-á uma vez mais, neste caso perante uma jurisdição privada situada em território estado-unidense, em que a parte estado-unidense desempenhará um papel determinante.
*Jean-Claude Paye é sociólogo, autor de El final del Estado de derecho, Hondarribia, Hiru, 2010, e de L’Emprise de l’image. De Guantanamo à Tarnac. Editions Yves Michel, Novembro 2011.
Notas:

[1] Jean-Claude Paye, “Las transacciones financieras internacionales bajo control estadounidense”, 30 de Maio de 2009, http://www.rebelion.org/noticia.php?id=86205

[2] Jean-Claude Paye, «L’espace aérien sous contrôle impérial», Mondialisation.ca, 15 de Outubro de 2007, http://www.mondialisation.ca/l-espace-a-rien-sous-contr-le-imp-rial/7080 [Veja-se em castelhano sobre o mesmo tema, “Pasajeros europeos bajo el control de EEUU”, http://www.rebelion.org/noticia.php?id=57828].
 
* O gás de xisto é o que é extraído por meio de fractura hidráulica (fracking).
[3] Convenção para a resolução de divergências relativas ao investimento entre Estados e cidadãos de outros Estados, International Centre for Settlement of Investissement Disputes (ICSID), capítulo da arbitragem, Artigo 37, https://icsid.worldbank.org/ICSID/StaticFiles/basicdoc-fra/partA-chap04.htm#s02
Fonte: http://www.mondialisation.ca/lempire-en-construction-le-droit-etasunien-simpose-sur-le-territoire-europeen/5384195

 

Dia D (D Day) - A Revisão da História

pelo Império dos Estados Unidos da América 

 

Um texto notável de Manuel Augusto Araújo no blogue Praça do Bocage, cuja republicação autoriza.
 
http://pracadobocage.wordpress.com/2014/06/09/o-poder-simbolico/

O PODER SIMBÓLICO


Pierre Bourdieu, no seu ensaio “O Poder Simbólico” (Difel,Memória e Sociedade, 1994), defende a tese “ O poder simbólico é esse poder invisível, o qual só pode ser exercido com a cumplicidade daqueles que não querem saber que lhes estão sujeitos ou mesmo que o exercem. Poder quase mágico, que permite obter o equivalente daquilo que é obtido pela força (física ou económica), só se exerce se for reconhecido, quer dizer, ignorado como arbitrário.”
"Lembrei-me desta brilhante tese de Bourdieu ao ver as comemorações dos setenta anos do Dia D, o desembarque na Normandia das tropas dos EUA, Inglaterra e França Livre.
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De como esse dia é glorificado como sendo o dia que marcou a viragem na II Guerra Mundial e o princípio da viragem a favor dos aliados, URSS, Inglaterra, EUA, França, contra as forças do Eixo. É uma reversão da história da guerra que coloca os norte-americanos como os grandes salvadores d Europa da barbárie nazi. Apaga-se com uma monumental manobra de propaganda, dos meios de comunicação social aos estudos históricos e ao cinema, a verdadeira e factual história da II Guerra Mundial. Nisso os norte-americanos são mestres. A saga da conquista do Oeste é exemplar nas centenas de filmes em que glorificam os cowboys, acentuando o mito do justiceiro solitário, o triunfo do individualismo, o embrião do american way of life, transformando uma história de inomináveis brutalidades e arbitrariedades na mitologia dourada do Oeste Selvagem. Cormac McCarthy, baseado em factos históricos ocorridos na fronteira entre os EUA e o México, em meados do séc. XIX, desmonta e subverte essa cosmogonia ao narrar a violência que foi essa expansão, no romance “Meridiano de Sangue”
O Dia D, procura iludir que a derrota da Alemanha nazi estava em marcha depois das vitórias soviéticas em Estalinegrado (1943) e, sobretudo, Kursk (1943), a maior batalha de blindados de todo os tempos, com as maiores perdas aéreas num só dia de guerra.
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Enormes perdas de vidas humanas, de aparatos militares, de recursos económicos para os soviéticos, consequência dos sucessivos adiamentos da abertura de uma frente ocidental, muito reclamada por Estaline, acusando Churchill e Roosevelt de estarem a poupar vidas ocidentais às custas de vidas soviéticas. Hoje muitos historiadores põe em causa a influência do Dia D, no curso da guerra. Três quartos das forças nazis estavam na Frente Oriental, recuavam frente ao Exército Vermelho, quando, finalmente, em 6 de Julho de 1944, se invadiu a Normandia.
Essa entronização do Dia D, tem outros efeitos menos visíveis mas igualmente importantes. Atira para plano longínquo o facto de Hitler ascender ao poder político apoiado pelos grandes conglomerados industriais alemães, nomeadamente I.G.Farben, Thyssen, Krupps, todas largamente beneficiárias do trabalho escravo recrutado nos campos de concentração. Grupos económicos onde Rockfeller, Rothschild e outros tinham participações significativas. A I.G.Farben o gigante da indústria química da Alemanha era uma divisão da Standard Oil de Rockfeller. Esses magnatas norte-americanos financiaram de boa vontade Hitler.
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Não só esses foram fortes esteios da Alemanha nazi. Prescott Bush, avô de George Bush, um especulador financeiro de Wall Street que até esteve implicado num golpe militar contra Roosevelt em 1934 para impor um regime fascista nos EUA, foi um grande financiador do Partido Nazi, através do Union City Bank. Também será de lembrar que outro magnata norte-americano Henry Ford, também com investimentos não negligenciáveis na Alemanha nazi, fez o elogio do Ku Klux Klan do seu “genuíno “americanismo”. Muito admirado pêlos ideólogos nazis, Henry Ford, condenava a Revolução Bolchevique acusando-a de ser o produto de uma conspiração judaica. Fundou até uma revista, o Oearborn Independent, cujos artigos publicados foram reunidos em 1920 num único volume intitulado “O Judeu Internacional”. O livro transformou-se numa referência central do anti-semitismo internacional. Foi traduzido para alemão e adquiriu grande popularidade. Nazis destacados, como Von Schirach e Himmler reconheceram ter sido inspirados ou motivados por Ford. Segundo Himmler, o livro de Ford desempenhou um papel “decisivo” não só na sua formação pessoal, como também na do Führer. Os estrénuos campeões da liberdade e da democracia apoiaram e financiaram os nazis, bem depois de a guerra ter começado.
O Dia D, inventado e celebrado como o dia que decidiu a vitória dos aliados, estende um diáfano manto sobre esses factos históricos. Foi de facto importante. Foi sobretudo uma vitória dos EUA, do império norte-americano. A II Grande Guerra foi terminante  para que os EUA, que com a I Grande Guerra tinha alcançado uma época de prosperidade sem precedentes,  impusessem o seu poder no mundo.
Foi a II Guerra Mundial que possibilitou a crise financeira de 1929 se resolvesse. O New Deal de Roosevelt, iniciado em 1932, no pico da crise, introduziu uma forte intervenção do Estado na economia. Procurando regular os mercados e o funcionamento da Bolsa, impedindo investimentos especulativos e de alto risco. Impulsionando uma forte política de investimento na construção civil com um programa intenso de obras públicas, a New Deal começou em força, foi perdendo fulgor e estava a avançar muito devagar. A guerra resolveu os problemas dessa crise capitalista. Obrigou os governos a fazer encomendas gigantescas de aço, máquinas, peças, artefactos que mobilizaram toda a indústria. O problema do desemprego, há que o dizer com toda a brutalidade, resolveu-se com a mobilização de milhões de desempregados e com os milhões de seres humanos mortos nos campos de batalha
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e fora deles com bombardeamentos a alvos industriais e civis.Leia-seMatadouro Cinco de Kurt Vonnegut, soldado americano prisioneiro de guerra em Dresden, quando norte-americanos e ingleses bombardearam indiscriminada e desnecessariamente essa cidade, cercada pelo Exército Vermelho, à beira de se render. Um livro duro, duríssimo em que as descrições muito estilo Vonnegut são hilariantes sem permitir gargalhadas. Livro alvo de vários ataques da intelligentsia norte-americana que negaram até ser impossível, a brutalidade dessa realidade, agora também branqueada depois da queda do Muro de Berlim, em que só falta ressuscitar centenas de milhares de mortos.

O Dia D foi e é fundamental para o poder simbólico ocultar o poder real e efectivo como se conseguiu em Bretton Woods, instituindo os instrumentos de dominação financeira dos EUA. O BIRD, Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento que seria mais tarde dividido entre o Banco Mundial e o Banco para Investimentos Internacionais, e o Fundo Monetário Internacional (FMI). As principais disposições do sistema Bretton Woods foram a obrigação de cada país adoptar uma política monetária que mantivesse a taxa de câmbio de suas moedas dentro de um determinado valor indexado ao dólar, cujo valor, por sua vez, estaria ligado ao ouro numa base fixa de 35 dólares por onça troy. Dotar o FMI de financiamento para suportar dificuldades temporárias de pagamento. Na ausência de um mercado europeu forte para os bens e serviços estado-unidenses a economia dos EUA seria incapaz de sustentar a prosperidade que alcançara durante a guerra. Teoria claramente exposta por Bernard Baruch, financeiro, conselheiro de presidentes e congressistas, que sintetizou o espírito de Bretton Woods no início de 1945: “se eliminarmos o subsídio ao trabalho e à competição acirrada nos mercados exportadores, bem como prevenir a reconstrução de máquinas de guerra, que prosperidade a longo termo nós teremos.” Assim, os Estados Unidos usaram a sua posição dominante para restaurar uma economia mundial aberta, unificada sob controlo dos EUA, que deu aos EUA acesso ilimitado a mercados e matéria-prima.
Tudo se acentuou quando, em 1971, frente às pressões crescentes na procura global por ouro, depois da libra esterlina se ter afundado deixando de ser moeda de troca no comércio internacional, Richard Nixon, então presidente dos Estados Unidos, suspendeu unilateralmente o sistema de Bretton Woods, cancelando a conversibilidade directa do dólar em ouro O domínio passou a ser global, com uma moeda padrão no comércio internacional, o dólar. Com uma moeda a progressivamente ocupar o lugar do ouro nas reservas dos bancos centrais.
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Era só por a tipografia a imprimir a nota verde, como a até hoje e, perigosamente, o têm feito. Ficaram com as mãos ocupadas com a máquina de impressão e livres para manipularem a dívida externa, como o fizeram, reduzindo-a contabilisticamente de uma penada em 35%. Um forrobodó que tem feito os EUA viver à conta dos outros países e que só nos últimos anos está a ser posto em causa com a emergência de outros pólos económicos, com outros países a fazer as trocas comerciais em euros ou nas suas moedas nacionais, reduzindo a importância do dólar, o maior produto de exportação dos EUA. Cientes da sua fragilidade defendem com ameaças, canhões e propaganda o seu império, porque quem continuar a  exercer poder unipolar que tem na dólar  e na sua força militar o principal instrumento de dominação.

O Dia D tem pouco significado para o fim da guerra. Tem um enorme significado simbólico para os EUA. Sobretudo agora, quando são uma grande potência militar e uma potência económica em decadência. Um brutal perigo para a paz mundial como se tem observado nos últimos anos. O poder simbólico do Dia D, o modo como foi construído e mantido ao longo de setenta anos, ensina-nos a ver a importância da manipulação histórica e informativa na formação da opinião pública."

A Terra em vez do Paraíso

 

Rapariga algures na URSS

 

 

Há para aqui muito desespero. Só quero lembrar uma coisa: a vida é uma festa mas também uma luta eterna. Nenhuma conquista é definitiva, nenhuma perda irrecuperável. Eternamente. Quem quer o paraíso recomendo a Igreja. Nós por cá preferimos a Terra.


O Bloco de Esquerda Quebrado

 

 

 

 

O Bloco de Esquerda é constituído maioritariamente por jovens técnicos que trabalham por conta própria, jovens assalariados contratados a prazo, sem valores de classe por serem filhos da ambígua pequena-burguesia e por terem de lutar isoladamente pelo seu emprego em regime de instabilidade, de competição permanente e sem existência e sentido de pertença ou de dependência recíproca e projecto comum, professores preconceituosos e pseudo-intelectuais zangados com ministras e estudantes sem vivência real das contradições fundamentais. 

Na verdade, são estas condições objectivas que determinam, em grande parte, que a maioria dos jovens e dos menos jovens votem à direita ou em partidos de direita com desfalecidas tonalidades de esquerda, embora todos esses partidos possuam um projecto de classe mais ou menos definido em prol do capital, tendo todavia que lhe juntar um certo grau de mobilidade social, a possibilidade de entrada a novos agentes da iniciativa privada e de funções sociais para que a sociedade capitalista se renove com uma camada jovem de empresários,  para que não caia no caos e, sobretudo, na revolução.

No Bloco de Esquerda militam pessoas com boas intenções. Contudo, têm mais de revolta pessoal do que sólida consciência social, não têm experiência de lutas colectivas nos locais de trabalho, nos sindicatos, na organização política coordenada e na rua em defesa dos interesses, não deles, mas dos assalariados em geral e, em particular, dos operários. A situação objectiva destes é a única que pode ser de oposição consistente ao capital. Só com eles se pode combater pela supressão final da propriedade privada dos meios de produção. Mas os dos Bloco de Esquerda são incapazes, por todas as razões invocadas, de se empenhar numa luta a médio e a longo prazo dentro de uma organização política anticapitalista na qual possam apresentar as suas ideias mas a cujo colectivo devem submetê-las. 

São impacientes e individualistas, põem sempre o eu acima do nós, a vontade individual acima da vontade colectiva. Qualquer discordância em objectivos de curto prazo é motivo para debandada ou para a fragmentação. 

É um partido de revoltados e não de classe. É um partido de pessoas que, à menor oportunidade de se juntarem à burguesia pelo enriquecimento através da exploração de assalariados, passam politicamente para o lado do capital. Na verdade, a sua formação e a sua situação social produzem essa expectativa e essa possibilidade. 

É por isso que a referência de um partido político marxista terá que ser sempre a classe operária.  É ela que determina a forma geral e estratégica da luta política comunista e não os interesses particulares deste ou daquele grupo social, a ter em conta subordinadamente, mesmo que aliado da classe operária. Uma sociedade sem uma classe operária forte e objectivamente oposta à burguesia nunca poderá criar um movimento comunista capaz de criar um sistema socialista sólido e com futuro.

Caso contrário, esse partido deixa de ser marxista e social-democratiza-se. Ou então, como sucede com o Bloco de Esquerda, torna-se num instrumento de formação de quadros políticos em vias de ingressarem em partidos sociais-democratas ou de andarem por aí, cada vez mais sectários, a adejar a sua vaidade intelectual e o seu individualismo burguês. 

 

 

Quando, há uns meses, alguns economistas do PC e de outras áreas políticas pediram um debate sobre o Euro, Louçã veio para a comunicação social clamar contra a hipótese de saída do Euro. O Louçã, como todos os dirigentes e militantes do BE são meninos e meninas bonitas que se sentem bem neste regime. Apenas querem brincar à rebeldia e dar nas vistas como inteligências supremas. Portanto, não se preocupem, essas sumidades conseguem elevar-se ao nível dos vossos conhecimentos, simpatizantes e militantes do P.S. Agora, não sei se os conhecimentos são bons. P.S. A Ana Drago, como já a outra beldade (é pena que a beleza não seja política), está aqui está no P.S.




O BE é uma manta de retalhos, trotskistas, maoistas, sociais-democratas, idealistas políticos, todos unidos pelo ódio ao Partido Comunista. 

 


Louçã, por exemplo, é um trotskista. Conheci trotskistas e eles diziam-me que preferiam os Estados Unidos à União Soviética. O seu economicismo (o futuro do socialismo está nos EUA, a sociedade mais desenvolvida, e não vale a pena qualquer solidariedade com a URSS, malgrado os seus defeitos, que identificavam com o totalitarismo, muito parecido com o Império do Mal) mal colado a um voluntarismo falso é sobejamente conhecido. 

 


Uma vez, durante uma greve na Universidade de Lisboa, a sua principal preocupação era isolar os comunistas. 

Gostos não se discutem, os defeitos da União soviética não são para ocultar. Mas há muito tempo que percebi de que lado eles sempre estiveram.

Obama Defende a Militarização da Europa em Defesa dos Valores do Ocidente Face à Ameaça de Yekaterina Gubareva

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Yekaterina Gubareva, foreign minister and first lady of the “Donetsk People’s Republic”

 

Comemorando em público a visita de Obama a países de Leste, um comentador notório de o publico.pt, soltou hoje o seguinte palavreado épico:

Estamos com os nossos aliados, na defesa do nosso modo de vida, sem medo de quaisquer inimigos que queiram por em causa as nossas liberdades e a nossa democracia.

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Mas eu pergunto. Que outro modo de vida, que outras liberdades, que outra democracia são opostos aos nossos? Os poderosos da Europa de Leste apenas nos estão a tentar imitar, com excessos de capitalismo à solta e de maneira ainda tosca. Os dos islâmicos?
Mas não são os Estados Unidos, referência dos valores sublimes do Ocidente, que sustentam ambiguamente o fundamentalismo islâmico e promovem com a sua política de desestabilização e de dividir para reinar governos tirânicos, oligárquicos, corruptos e guerras directas, por conta de outrem e fratricidas, não são os Estados Unidos, dizia, a conduzirem essa área do globo para a regressão civilizacional?
Estamos mais próximos do reino da Arábia Saudita, das belas democracias turcas e mexicanas do que da Rússia, ódio de estimação conveniente para as nossas bandas deste que na Idade Média Alexandre Neviski derrotou as invasões suecas, bálticas e alemãs?

 

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Estamos mais perto – nós os cosmopolitas, ideólogos globalizadores do capitalismo – de reconhecer as aspirações de independência da Catalunha, do País Basco, da Córsega, da Escócia, se os povos assim decidirem, do que de reconhecer – e que direitos temos nós de nos reservarmos esse reconhecimento? – a cessação da Crimeia e a independência do Leste da Ucrânia?

 

 

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Estamos mais perto de políticos e de outras personagens que representaram o nosso modo de vida, liberdades e democracia como Nixon, Hitler, Pinochet, Passos Coelho, Tujman, Blair, teocratas do Vaticano, oligarcas dos Estados Unidos e do México, do que de Pedro o Grande, de Catarina II da Rússia, Lenine, Putin? Ressalvemos as diferenças de grandeza em cada uma das listas, mas qual será a diferença de qualidade?