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Filosofia da Terra

Furar o Nevoeiro da Ideologia Burguesa. O Bem, a Verdade e o Belo - Paradigmas Unidos da Vida. Um Olhar e uma Voz Diferentes, Livres, Progressistas e Revolucionárias. Filosofia, Artes, Política, Acontecimentos, Reflexões.
 
Redesenhar o mapa da Federação Russa: 
Partição da Rússia após uma III Guerra Mundial?

por Mahdi Darius Nazemroaya
Combatente do Batalhão Azov, da Guarda Nacional da Ucrânia.
O objetivo final dos EUA e da NATO é dividir (balcanizar) e pacificar (finlandizar) o maior país do mundo, a Federação Russa, e estender mesmo um manto de desordem perpétua (somalização) sobre o seu vasto território ou, pelo menos, sobre uma parte da Rússia e do espaço pós-soviético, à semelhança do que está a ser feito no Médio Oriente e no Norte de África. A futura Rússia ou as muitas futuras Rússias, uma pluralidade de estados enfraquecidos e divididos, que Washington e os seus aliados da NATO prevêem, estará/estarão demograficamente em declínio, desindustrializadas, pobres, sem qualquer capacidade de defesa e sem zonas interiores que possam ser exploradas para obter recursos.

Os planos imperiais de caos para a Rússia 

Washington e a NATO não se contentaram com a destruição da União Soviética. O objetivo final dos EUA é impedir que surjam quaisquer alternativas a uma integração euro-atlântica na Europa e na Eurásia. É por isso que a destruição da Rússia é um dos seus objetivos estratégicos.

Os objetivos de Washington estiveram vivos e presentes durante a luta na Chechénia. Também puderam ser vistos na crise que irrompeu em EuroMaidan na Ucrânia. De facto, o primeiro passo para o divórcio entre a Ucrânia e a Rússia foi um catalisador para a dissolução de toda a União Soviética e para quaisquer tentativas de a reorganizar.

O intelectual polaco-americano, Zbigniew Brzezinski, que foi conselheiro de segurança nacional do presidente americano Jimmy Carter e um dos arquitetos por trás da invasão soviética do Afeganistão, defendeu a destruição da Rússia através duma desintegração e devolução graduais. Estipulou que "uma Rússia mais descentralizada seria menos suscetível à mobilização imperialista" [1] Por outras palavras, se os EUA dividissem a Rússia, Moscovo não poderia desafiar Washington. Neste contexto, afirma o seguinte: "Uma Rússia confederada informalmente – formada por uma Rússia europeia, uma república siberiana e uma república do extremo oriente – teria mais facilidade de cultivar regulações económicas mais estreitas com a Europa, com os novos estados da Ásia central e com [a Ásia oriental], acelerando assim o desenvolvimento da Rússia". [2]

Esta perspetiva não está restrita apenas a qualquer torre de marfim de académicos ou a grupos de pensamento isolados. Tem o apoio de governos e até tem aderentes cultos. Segue-se abaixo uma reflexão sobre ela.

Os media dos EUA prevêem a balcanização da Rússia 

Em 8 de Setembro de 2014, Dmytro Sinchenko publicou um artigo sobre a divisão da Rússia. Este artigo intitula-se "À espera da III Guerra Mundial: Como o mundo mudará". [3] Sinchenko esteve envolvido no EuroMaidan. A sua organização, a iniciativa ucraniana "Movimento de Estadistas", defende um nacionalismo étnico, a expansão territorial da Ucrânia à custa da maior parte dos países fronteiriços, o reforço da Organização para a Democracia e Desenvolvimento Económico da Geórgia-Ucrânia-Azerbaijão-Moldova (GUAM), pró-EUA, a adesão à NATO e o lançamento de uma ofensiva para derrotar a Rússia, fazendo parte dos seus objetivos de política externa. [4] Em jeito de nota, a inclusão da palavra democracia no GUAM não deve iludir ninguém: o GUAM, como prova a inclusão da República do Azerbaijão, não tem nada a ver com democracia, mas apenas com contrabalançar a Rússia na Comunidade de Países Independentes (CPI).

O artigo de Sinchenko começa por falar sobre a história do "Eixo do Mal", frase que os EUA têm usado para denegrir os seus inimigos. Fala sobre como George W. Bush Jr. cunhou a frase em 2002, agrupando o Iraque, o Irão e a Coreia do Norte, como John Bolton alargou o Eixo do Mal para incluir Cuba, a Líbia e a Síria, como Condoleezza Rice incluiu a Bielorrússia, o Zimbabué e Myanmar (Birmânia) e, por fim, propõe juntar a Rússia à lista, como o principal estado pária do mundo. Chega a argumentar que o Kremlin está envolvido em todos os conflitos nos Balcãs, no Cáucaso, no Médio Oriente, no Norte de África, na Ucrânia e no sudeste asiático. Prossegue, acusando a Rússia de planear invadir os estados bálticos, o Cáucaso, a Moldova, a Finlândia, a Polónia e, mais ridiculamente ainda, dois dos seus aliados militares e políticos mais próximos, a Bielorrússia e o Cazaquistão. Tal como insinua o título do artigo, chega a afirmar que Moscovo está propositadamente a pressionar para uma terceira guerra mundial.

Esta ficção não é uma coisa que tenha sido noticiada nas redes empresariais alinhadas com os EUA, mas é algo que tem sido publicado diretamente pelos media que são propriedade do governo dos EUA. A previsão foi publicada pelo serviço ucraniano da Radio Free Europe / Radio Liberty, que tem sido um instrumento de propaganda dos EUA na Europa e no Médio Oriente para ajudar a derrubar governos.

De modo arrepiante, o artigo tenta dourar as possibilidades duma nova guerra mundial. Ignorando de modo revoltante o uso de armas nucleares e a destruição maciça que significaria para a Ucrânia e para o mundo, o artigo pinta mistificatoriamente uma imagem simpática de um mundo que será corrigido por uma grande guerra global. A Radio Free Europe/Radio Liberty e o autor estão essencialmente a dizer ao povo ucraniano que "a guerra é boa para vocês" e que, depois duma guerra com a Rússia, surgirá um paraíso utópico qualquer.

O artigo também se encaixa perfeitamente nos contornos da previsão de Brzezinski para a Rússia, para a Ucrânia e para o subcontinente eurasiano. Prevê a divisão da Rússia, enquanto a Ucrânia passa a fazer parte duma União Europeia alargada, que inclui a Geórgia, a Arménia, a República do Azerbaijão, a Bielorrússia, Israel, o Líbano e a dependência dinamarquesa da Gronelândia no continente americano. Também controla uma confederação de estados no Cáucaso e no Mar Mediterrâneo – esta última poderá ser a União dos Mediterrânicos, que englobaria a Turquia, a Síria, o Egito, a Líbia, a Tunísia, a Argélia, Marrocos e o território ocupado por Marrocos da República Árabe Saaraui Democrática, ou Saara Ocidental. A Ucrânia é apresentada como um componente integral da União Europeia. Neste aspeto, a Ucrânia aparece situada num corredor franco-alemão-polaco-ucraniano, alinhado com os EUA, e num eixo Paris-Berlim-Varsóvia-Kiev cuja criação Brzezinski defendeu em 1997, e que Washington usaria para desafiar a Federação Russa e os seus aliados no CPI. [5]

Redesenhar a Eurásia: Mapas de Washington de uma Rússia dividida 

Com a divisão da Federação Russa, o artigo da Radio Free Europe / Radio Liberty afirma que qualquer rivalidade bipolar entre Moscovo e Washington acabará depois da III Guerra Mundial. Numa profunda contradição, afirma que só quando a Rússia for destruída, haverá um mundo multipolar genuíno, mas também sugere que os EUA será a principal potência global dominante apesar de Washington e de a União Europeia saírem enfraquecidos desta grande guerra prevista com os russos.


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Acompanhando o artigo há também dois mapas que sublinham o novo traçado do espaço euroasiático e a forma do mundo após a destruição da Rússia. Além disso, nem o autor nem os seus dois mapas reconhecem a alteração de fronteiras na Península da Crimeia e representam-na como uma parte da Ucrânia e não da Federação Russa. De ocidente para oriente fazem-se as seguintes alterações à geografia da Rússia:
  • O oblast russo de Kaliningrado será anexado pela Lituânia, pela Polónia ou pela Alemanha. Seja como for, passará a fazer parte duma União Europeia alargada. 
  • A Carélia de leste (Carélia russa) e o que é atualmente o súbdito federal da República da Carélia no interior do Distrito Federal Noroeste da Rússia, juntamente com a cidade federal de S. Petersburgo, o oblast de Novgorod, os dois terços do norte do oblast Pskov e o oblast de Murmansk são separados da Rússia para formarem um país alinhado com a Finlândia. Esta área até pode ser absorvida pela Finlândia para criar uma Grande Finlândia. Embora o oblast de Arcangel (Arkhangelsk) esteja listado no artigo como uma parte desta área repartida, não está incluída no mapa (provavelmente devido a um erro no mapa). 
  • Os distritos administrativos a sul, de Sebezhsky, Pustoshkinsky, Nevelsky, e Usvyatsky no oblast de Pskov do Distrito Federal Noroeste e os distritos administrativos mais ocidentais de Demidovsky, Desnogorsk, Dukhovshchinsky, Kardymovsky, Khislavichsky, Krasninsky, Monastyrshchinsky, Pochinkovsky, Roslavlsky, Rudnyansky, Shumyachsky, Smolensky, Velizhsky, Yartsevsky e Yershichsky, assim como as cidades de Smolensk e Roslavl, no oblast de Smolensk do Distrito Federal Central, são ligados à Bielorrússia. Os distritos de Dorogobuzhsky, Kholm-Zhirkovsky, Safonovsky, Ugransky, e Yelninsky do oblast de Smolensk e os distritos Yelninsky aparecem ainda mais repartidos no mapa, com a nova fronteira entre a Bielorrússia e a Rússia amputada conforme proposto. 
  • O Distrito Federal do Cáucaso Norte da Rússia, que engloba a República de Inguchétia, a República Cabárdia-Balcária, a República Carachai-Circácia, a República da Ossétia-Alânia do Norte, o Krai de Stavropol, e a Chechénia, fica separado da Rússia como uma confederação caucasiana sob a influência da União Europeia. 
  • O Distrito Federal Sul da Rússia, que é formado pela República da Adigueia, o oblast de Astracã, o oblast de Volgogrado, a República da Calmúquia, o Krai de Krasnodar e o oblast de Rostov, é totalmente anexado pela Ucrânia; isso leva a uma fronteira partilhada entre a Ucrânia e o Cazaquistão e corta a Rússia do Mar Cáspio, rico em energia, e também a sul a uma fronteira direta com o Irão. 
  • A Ucrânia também anexa os oblasts de Belgorod, Bryansk, Kursk, e Voronej do distrito federal mais densamente povoado e de maior área da Rússia, o Distrito Federal Central. 
  • A Sibéria e o extremo oriente russo, especificamente o Distrito Federal da Sibéria e o Distrito Federal do Extremo Oriente, são separados da Rússia. 
  • O texto diz que todo o território da Sibéria e a maior parte do território do extremo oriente russo, que englobam a República do Altai, Altai Krai, o oblast de Amur, a República da Buriácia, Chukotka, o oblast Autónomo Judaico, o oblast de Irkutsk, Kamchatka Krai, o oblast de Kemerovo, Khabarovsk Krai, a República de Cacássia, Krasnoyarsk Krai, o oblast de Magadan, o oblast de Novosibirsk, o oblast de Omsk, Primorsky Krai, a República Iacútia, o oblast Tomsk, a República Tuva e Zabaykalsky Krai, ou passam a ser vários estados independentes dominados pelos chineses ou, juntamente com a Mongólia, passam a ser novos territórios da República Popular da China. O mapa desenha categoricamente a Sibéria, a maior parte do extremo oriente russo e a Mongólia como território chinês. A única exceção é o oblast Sacalina. 
  • A Rússia perde a Ilha Sacalina (chamada Saharin e Karafuto em japonês) e as Ilhas Curilas, que constituem o oblast Sacalina. Estas ilhas são anexadas pelo Japão.
Na sua página da Internet , Sinchenko publicou o seu artigo da Radio Free Europe/Radio Liberty, uns dias mais cedo, a 2 de Setembro de 2014. Os mesmos mapas, que são atribuídos à Radio Free Europe/Radio Liberty, também estão ali presentes. [6] Mas há uma imagem adicional na página da Internet de Sinchenko que vale a pena assinalar. É uma imagem da Rússia a ser alegremente esquartejada para consumo, como uma grande refeição de todos os países fronteiriços. [7]
O banquete às custas da Rússia, segundo Dimitri Sinchenko.
Mapeando uma Nova Ordem Mundial:   O mundo depois da III Guerra Mundial? 

O segundo mapa é o mundo após a III Guerra Mundial, que fica dividido em vários estados supranacionais. O Japão é a única exceção. O segundo mapa e os seus estados supranacionais podem descrever-se assim:
  • Como referido anteriormente, a União Europeia está alargada e controla as suas periferias no Cáucaso, no sudeste asiático e no Norte de África. É a concretização do Diálogo Mediterrâneo e da Parceria para a Paz, da NATO, a nível político e militar e da Associação Oriental e da Parceria Euro-Mediterrânica, da União Europeia (a União do Mediterrâneo) a nível político e económico. 
  • Os Estados Unidos formam uma entidade supranacional com base na América do Norte, que inclui o Canadá, o México, a Guatemala, o Belize, El Salvador, as Honduras, a Nicarágua, a Costa Rica, o Panamá, a Colômbia, a Venezuela, o Equador, as Guianas (Guiana, Suriname, e Guiana Francesa) e todas as Caraíbas. 
  • Todos os países que não sejam engolidos pelos EUA na América do Sul formarão a sua entidade supranacional numa América do Sul mais pequena, que será dominada pelo Brasil. 
  • Formar-se-á uma espécie de bloco ou entidade supranacional no sudoeste asiático, com o Afeganistão, o Paquistão, o Irão, o Iraque, a Jordânia, a Arábia Saudita, o Kuwait, o Bahrain, o Qatar, os Emiratos Árabes Unidos, Omã e o Iémen. 
  • Formar-se-á uma espécie de entidade supranacional no subcontinente indiano ou sul da Ásia com a Índia, o Sri Lanka (Ceilão), o Nepal, o Butão, o Bangladesh, Myanmar (Birmânia) e a Tailândia. 
  • Haverá uma entidade supranacional na Australásia e na Oceânia que incluirá as Filipinas, a Malásia, Singapura, o Brunei, a Indonésia, Timor Leste, a Papua Nova-Guiné, a Nova Zelândia e as ilhas do Pacífico. Esta entidade incluirá a Austrália e será dominada por Canberra. 
  • Com exceção do Norte de África, que será controlado pela União Europeia, o resto da África será unificada sob a chefia da África do Sul. 
  • Uma entidade supranacional do leste da Ásia incluirá a maior parte da Federação Russa, a Indochina, a China, a Península Coreana, a Mongólia e a Ásia Central pós-soviética. Esta entidade será dominada pelos chineses e dominada a partir de Beijing.
Repartição do mundo após uma III Guerra Mundial, segundo o sr. Sinchenko.
Embora o artigo da Radio Free Europe e os dois mapas pós III Guerra Mundial possam ser considerados como noções fantasiosas, temos que fazer algumas perguntas importantes. Primeiro, onde é que o autor foi buscar estas ideias? Foram transmitidas através de quaisquer "workshops" apoiados pelos EUA e pela União Europeia indiretamente? Segundo, o que sustenta a visão do autor duma paisagem política pós III Guerra Mundial?

O autor, essencialmente, segue o traçado de Brzezinski duma Rússia dividida. O texto e os mapas até incluíram as áreas do norte de África, do Médio Oriente e do Cáucaso, que a União Europeia considera como uma segunda periferia ou camada de si mesma. Estas áreas até estão pintadas com um azul mais claro do que o azul mais escuro que identifica a União Europeia.

Mesmo que não se dê importância à Radio Free Europe, ninguém deve esquecer o facto de que o Japão continua a reclamar o oblast de Sacalina e os EUA, a União Europeia, a Turquia e a Arábia Saudita têm apoiado movimentos separatistas tanto no Distrito Federal Sul como no Distrito Caucasiano Norte da Federação Russa.

Ucranianismo 

O artigo da Rádio Free/Radio Liberty exibe indícios de ucranianismo, que vale a pena mencionar brevemente.

As nações são construídas porque todas elas são comunidades dinâmicas que, duma forma ou de outra, são construídas e mantidas juntas pelo coletivo dos indivíduos que formam as sociedades. Neste aspeto podem ser chamadas de comunidades imaginadas.

Há maquinações em marcha para desconstruir e reconstruir nações e grupos no espaço pós-soviético e no Médio Oriente. Isto pode chamar-se a manipulação do tribalismo em calão sociológico e antropológico ou, no calão político, a representação do Grande Jogo. Neste contexto, o ucranianismo tem sido especialmente apoiante de elementos anti-governo e dos sentimentos nacionalistas anti-russos na Ucrânia há mais de cem anos, primeiro pelos austríacos e os alemães, depois através dos polacos e dos britânicos, e agora pelos EUA e a NATO.

O ucranianismo é uma ideologia que procura coisificar e impor uma nova imagem coletiva ou uma memória histórica falsa entre o povo ucraniano sobre ele terem sido sempre uma nação e um povo separados é uma projeção política que procura negar a unidade histórica dos eslavos orientais e as raízes geográficas e o contexto histórico por trás da distinção entre ucranianos e russos. Por outras palavras, o ucranianismo procura descontextualizar e esquecer o processo que levou à distinção entre ucranianos e russos.

A Rússia sempre ressurgiu das cinzas. A história pode testemunhá-lo. Venha o que vier, a Rússia ficará de pé. Sempre que todos os diversos povos da Rússia se uniram sob uma bandeira pela sua pátria, estilhaçaram impérios. Sobreviveram a guerras e invasões catastróficas e venceram os seus inimigos. Os mapas e as fronteiras podem mudar, mas a Rússia permanecerá.
Notas 
[1] Zbigniew Brzezinski, The Grand Chessboard: American Primacy and Its Geo-strategic Imperatives (NYC: Basic Books, 1997), p.202.
[2] Ibid.
[3] "Waiting for World War III: How the World Will Change" Radio Free Europe/Radio Liberty], September 8, 2014.
[4] Ukrainian Initiative "Statesmen Movement" Foreign Policy Strategy Statesman Movement: Chasing Dreams/Visions. Accessed September 9, 2014.
[5] Brzezinski, The Grand Chessboard, op. cit., pp.85-86
[6] Dmytro Sinchenko, "Waiting for World War III: How the World Will Change", Dmytro Sinchenko {blog}], September 2, 2014, Accessed September 3, 2014: .
[7] Ibid.
10/Setembro/2014


O original encontra-se em www.globalresearch.ca/... e em www.strategic-culture.org/ . Tradução de Margarida Ferreira. 

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

A OTAN (NATO) Prepara-se para a Guerra

A OTAN (NATO) Prepara-se para a Guerra 


De vez em quando as nações mais poderosas criam o papão de ocasião para cerrarem fileiras. Ai que medo dos russos! O que é curioso é que a Rússia é que foi vítima das mais bárbaras invasões por parte de europeus e asiáticos deste o século XIII - teutões suecos, livóninos, polacos, mongóis e tártaros, coligação mundial (da Inglaterra e Estados Unidos ao Japão) após a Primeira Guerra Mundial, nazis; a ocupação pela Rússia e tomada do poder pelos comunistas dos países de Leste foi resultado do combate da URSS contra o nazismo e não uma intervenção espontânea; Estaline tinha o plano do socialismo num só país - mas são os grão-capitães do capitalismo ocidental que fazem dela o espantalho para tolherem, com a mais eficaz campanha propagandística de sempre, a inteligência dos cidadãos ocidentais.
 
 
Tenho pena pela Europa, que assim vai morrendo, porque, apesar de tudo, tenho amor pela sua alta cultura, por vários aspectos do seu estilo de vida, conquistados pelo engenho tecnológico, pelas revoluções políticas democráticas ao longo dos séculos e pela luta organizada dos trabalhadores. Mas a Europa de que falo vai do Atlântico aos Urais e as suas capitais de Lisboa a Moscovo. É maior do que a pequenez dos nossos dirigentes.
 
 
O Rasmussen da OTAN já andou a pedir aumento no orçamento da UE e dos países europeus da OTAN contra a ameaça russa. E o Hollande (quem me dera saber pronunciar o seu nome como o José Rodrigues dos Santos) disse num discurso que a Europa anda a descançar demasiado debaixo das paz. A indústria armamentista no seu melhor. Ai que medo dos russos!
 
 
Escrevi isto depois de ter lido esta notícia em O Público em rede:
"Como tem sido hábito desde o início do conflito na Ucrânia, quase todas as acusações, declarações e alegadas provas da culpabilidade de um e de outro lado jogam-se nas redes sociais, e não foi por isso de estranhar que uma das mais sérias acusações da NATO tenha chegado através do Twitter.
 
 
"A Rússia violou a lei internacional sem qualquer justificação, invadiu a Ucrânia, apoia os separatistas, e tem agora cerca de 20.000 soldados na fronteira com o Leste da Ucrânia", escreveu Alexander Vershbow.
É uma guerra com várias tentativas de cerco – no terreno, as forças ucranianas tentam derrotar os separatistas; a liderança da NATO tenta convencer os seus membros de que é urgente apressar os preparativos para uma guerra; e a Rússia tenta avisar a Ucrânia que uma vitória militar no Leste do país pode sair-lhe cara.
Nesta quarta-feira, o Presidente russo, Vladimir Putin, respondeu àsduras sanções aprovadas na semana passada com a limitação ou proibição da importação de alimentos dos EUA e da União Europeia (UE). "Determinados tipos de produtos agrícolas, matérias-primas e alimentos com origem em Estados que decidiram impor sanções económicas a entidades legais e/ou indivíduos russos, ou que se tenham associado a essa decisão, estão banidos ou limitados", lê-se no comunicado do Kremlin.
 
NATO exige mais poder
Nas últimas horas, a NATO não tem parado de lançar avisos. A porta-voz da organização, a romena Oana Lungescu, disse que "o mais recente reforço militar russo agrava a situação e compromete os esforços com vista a uma situação diplomática para a crise".

Mas o mais sério aviso veio do próprio secretário-geral da Aliança Atlântica, o dinamarquês Anders Fogh Rasmussen. Num artigo assinado no Financial Times, intitulado "Todos os aliados da NATO devem pressionar a Rússia", Rasmussen apresenta uma série de argumentos a favor do reforço da capacidade da aliança, contra aquilo a que chama "o maior desafio desde o fim da Guerra Fria".
Pondo toda a responsabilidade nas costas da Rússia, por ter "rasgado os compromissos" com a NATO – que "se esforçou para melhorar as relações com Moscovo após o colapso do comunismo" –, Rasmussen voltou a apelar ao reforço dos gastos com equipamento militar por parte dos 28 membros da organização". (Alexandre Martins)

 

 

 

Não sei se 4.000 milhões de euros em exportações para a Rússia é pouca coisa para a Alemanha. Mas é mais ou menos isso que esta vai perder com as sanções decretadas pelos Estados Unidos e seguidas pela sua amiga ou amante UE. A esse montante vai ter que somar-se as despesas com a importação energética da Rússia e o facto de haver um certo número de empresas alemãs instaladas na Rússia ou que negoceiam com ela. Um óptimo negócio para os EUA, que podem assim exportar mais para a Europa Ocidental, até porque a sua moeda vale muito menos do que o euro. O saldo positivo da balança de pagamentos vai inclinar-se para os EUA e vai ser difícil criar empregos na nossa fiel Europa. Portugal não recebe energia da Rússia mas exporta mais de trezentos milhões de euros e o que acontece no resto da Europa afeta-nos. Espero que este prognóstico não se verifique. Vermos no fim do jogo. 

O João Pinto do Porto é que sabe, não o Cameron, não o Hollande. Nem sei como a Merkel se mete nisto, que era a única com tino até agora.

 

 

No entanto, a maioria do pessoal que anda a comentar na rede (vulgo 'net') concorda, como se gostasse de guerras. E é que gosta mesmo!

Contudo, não vale a pena contra-comentar nesses sítios mal frequentados. É dar oportunidade para gente ignara e malevolente responder dando-lhe a ilusão de que tem cérebro na cabeça. É deixá-los a falar sozinhos, a esses alucinados do povo eleito por Deus, a essa comboiada de cegos mentais. Ouvirão apenas o seu próprio eco e ficarão entretidos a escrever uns aos outros, com insultos, exclamações, falsos factos e sem argumentos, sem ninguém lhes ligar. Nem é preciso apertar-lhes a garganta. Deixá-los a berrar. Eles vão nus. Não vale a pena perder o nosso precioso tempo.

 

 

Todos preocupadinhos com um dano colateral para os liberais-fascistas de Kiev que lançaram a guerra contra os federalistas russófilos, como se fosse um crime que nada tivesse a ver com a origem dessa guerra, mas nadinha preocupados com o massacre de civis na Faixa de Gaza por Israel e com os massacres de cristãos no Norte do Iraque pelos irmãos muçulmanos de Obama do Estado Islâmico ou Califado. 

A gravidade da coisa tem a ver com os olhos de quem a vê. Fascismo, medievalismo, estes retrocessos na civilização são bons desde que o Tio Sam fique satisfeito. Parabéns a todos vocês, ou por serem parolos ou por conseguirem enganar os parolos.


Mísseis Contra a Rússia

 

 

 

Mísseis Contra a Rússia

 

 

 

 

 

O facto de as pessoas que espumam da boca à vista de uma guerra contra a Rússia não parecerem assim tão básicas reside no processo de racionalização a que tiveram que sujeitar as suas fantasias de infância e de adolescência, porque, ao se confrontarem com as contradições e problemas reais e ao terem que se justificar perante os outros, precisam de argumentar e não apenas de declarar a sua paixão. 

As crianças admiram e temem os crescidos, incensam os grandes, fantasiam fins e meios de terem mais poder do que podem contra os maiores ou, reconhecendo que não podem tê-lo, optam por se abrigar sob o poder destes, que lhes parece quase mágico, tornando-se ciumentos se lhos tentam roubar (é o complexo de Édipo), habituam-se a gostar de ficções, não são capazes de avaliar senão em termos maniqueístas do bem e do mal, e, a partir daí, o mundo começa a parecer-lhes um filme. 

O problema é precisamente esse maniqueísmo: se não somos por eles, somos contra eles. Os EUA trouxeram ao mundo criações notáveis: a lâmpada eléctrica, os computadores, as viagens espaciais, a internet. O seu espírito de iniciativa é admirável, a vontade de autonomia das pessoas lá é de louvar. A sua paixão pelas armas não tanto.

A acrescentar a isto, os EUA desenvolveram uma subcultura de massas (mantenha-se o paradoxo) que é, pelo seu facilitismo estético, pelos simbolismos de licença sexual, de apelo ao uso de drogas, de festa permanente, de exibicionismo, narcisismo e de desprezo e oposição ao mundo do trabalho, gerando uma ficção de liberdade, a mais aditiva e alucinante de todos os tempos. Tendo começado por ser uma expressão de rebeldia, acabou por se tornar numa forma de alienação, um novo negócio capitalista e instrumento de domínio ideológico estadunidense à escala mundial, fazendo quase desaparecer as culturas do resto do mundo. 

Para a juventude, os EUA são uma festa eterna e tudo o que é bom - a renovação permanente e acelerada dessa festa - provém dessa América. Como não adorar essa grande fonte de hedonismo?! Junta-se, com uma força nunca vista, o poder à felicidade. O grande chefe passa a ser nosso comparsa da folia. E ele é que sabe como nos fazer felizes.

Porém, os EUA têm também um lado negro, o da sua estratégia de prender os outros povos aos seus interesses por via financeira, da apropriação das sua matérias-primas, da mão-de-obra barata e da guerra. Mas a atracção quase infantil pelo poder estadunidense impede-as de ver isto. É como se preferissem o lobo ao Capuchinho Vermelho. 

Uma Questão a Quem Odeia a Rússia e Putin 

 
Só uma questão, que aparentemente não tem nada a ver com a notícia da destruição do avião civil da Malásia na Ucrânia. mas que separa os incondicionais das conclusões 'a priori' de Obama dos mais cautelosos. 
 
 
O vosso ódio à Rússia tem a ver com a vossa ideia de que Putin é comunista? Olhem que se é assim estão muito enganados. A Rússia tem estado com mais vontade de fazer negócios com os países ocidentais pró-americanos do que se pode pensar. 
Ora, se o negócio é a alma do liberalismo capitalista, que problema é que vocês têm com a Rússia? Direitos humanos? 
 
 
 
Bom, mas Israel viola os direitos humanos dos seus vizinhos, ocupando-os e massacrando-os. Mesmo em Portugal há violação dos direitos humanos, no México é pão nosso de cada dia, como na Colômbia, na Arábia Saudita, no Dubai, na Roménia, até na Austrália. 
 
 
 
 
 
 
Sejam todos amigos, vá lá!, como o Brasil, A África do Sul, a Índia, que estão longe de serem comunistas, e a China, um perfeito capitalismo monopolista de Estado, à maneira deles. 
A menos que os BRICS e as imensas riquezas da Rússia sejam os motivos de tanta militância pelos direitos humanos desse grande país, motivos que evidentemente desconheceis.

Obama Defende a Militarização da Europa em Defesa dos Valores do Ocidente Face à Ameaça de Yekaterina Gubareva

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Yekaterina Gubareva, foreign minister and first lady of the “Donetsk People’s Republic”

 

Comemorando em público a visita de Obama a países de Leste, um comentador notório de o publico.pt, soltou hoje o seguinte palavreado épico:

Estamos com os nossos aliados, na defesa do nosso modo de vida, sem medo de quaisquer inimigos que queiram por em causa as nossas liberdades e a nossa democracia.

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Mas eu pergunto. Que outro modo de vida, que outras liberdades, que outra democracia são opostos aos nossos? Os poderosos da Europa de Leste apenas nos estão a tentar imitar, com excessos de capitalismo à solta e de maneira ainda tosca. Os dos islâmicos?
Mas não são os Estados Unidos, referência dos valores sublimes do Ocidente, que sustentam ambiguamente o fundamentalismo islâmico e promovem com a sua política de desestabilização e de dividir para reinar governos tirânicos, oligárquicos, corruptos e guerras directas, por conta de outrem e fratricidas, não são os Estados Unidos, dizia, a conduzirem essa área do globo para a regressão civilizacional?
Estamos mais próximos do reino da Arábia Saudita, das belas democracias turcas e mexicanas do que da Rússia, ódio de estimação conveniente para as nossas bandas deste que na Idade Média Alexandre Neviski derrotou as invasões suecas, bálticas e alemãs?

 

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Estamos mais perto – nós os cosmopolitas, ideólogos globalizadores do capitalismo – de reconhecer as aspirações de independência da Catalunha, do País Basco, da Córsega, da Escócia, se os povos assim decidirem, do que de reconhecer – e que direitos temos nós de nos reservarmos esse reconhecimento? – a cessação da Crimeia e a independência do Leste da Ucrânia?

 

 

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Estamos mais perto de políticos e de outras personagens que representaram o nosso modo de vida, liberdades e democracia como Nixon, Hitler, Pinochet, Passos Coelho, Tujman, Blair, teocratas do Vaticano, oligarcas dos Estados Unidos e do México, do que de Pedro o Grande, de Catarina II da Rússia, Lenine, Putin? Ressalvemos as diferenças de grandeza em cada uma das listas, mas qual será a diferença de qualidade?

 

 A Mulher de Barbas Vence o Festival da Eurovisão 

 
Há valores que não entendo em certas pessoas de esquerda, que parecem trocar de lugar com a direita. Antes era uma esquerda nocturna de hábitos horários mas luminosa de subversiva alegria, que não fazia por chocar mas tão somente viver em desacordo com os padrões morais, de gosto e de beleza dominantes, hipocritamente burgueses. 
Era a época do sexo, drogas e rock'n rol, dos travestis, dos acampamentos selvagens e da existência no momento. Agora, são os oligarcas da velha e gay Europa e os seus políticos e jornalistas que elaboram a publicidade erótica, que pagam propaganda política com pornografia, que financiam a legalização da produção e venda das drogas leves, que investem nos festivais pseudo libertinos de rock para alienação cultural dos alunos, estudantes e adultos em crise de crescimento, que saúdam as minorias sexuais e aplaudem, numa atitude de tolerância e de completa abertura de espírito, mulheres de barba (ou homens de mamas) a cantar e a vencer um certo Festival da Eurovisão, quando antes eram apenas curiosidades de feira. 
Por mim, sem o mínimo de ironia, acho tudo isto perfeitamente aceitável e revelador do maior respeito pelos direitos humanos. Se alguém se arroga a dizer que há direitos mais importantes, como o direito ao trabalho, à saúde, à educação, dir-lhe-ei que não são mais importantes. São tão importantes, não mais. Nada é mais importante do que o direito à diferença e à liberdade de ser o que se quiser ser. 
Sei bem que uma mulher barbuda é daquelas senhoras que não me dá um prazer especial em ver, como também não aprecio homens de mamas alçadas, grafitos e murais nas ruas para apreço de quem engole tudo e não tem o sentido do belo, ou a calçada à portuguesa quando não tem padrões, de tripas à moda do Porto, de francesinhas que não sejam de Paris, de couratos de feira, de três auto-estradas a ligar o Porto a Lisboa, do caos urbanístico das segundas habitações com jardins frequentados por querubins rechonchudos e águias do Benfica ou leões petrificados do Sporting, de arquitectura moderna quadriculada, quando a forma se rendeu completamente à função, e de edifícios pós-modernos com um bom sortido de mármores policromáticos e colunatas encimadas por bolas de futebol e nossas senhoras de Fátima. Mas quem sou eu para ditar as modas! Ser tolerante, no nosso tempo, é aceitar o que vem, o que se manifesta com a sua total liberdade. 
A única coisa que lamento em mim é ser incapaz de gostar de tudo, de ser uma esponja, uma máquina de filmar sôfrega que se alimenta do espectáculo do mundo, como fazia Álvaro de Campos, esse aventureiro hiper-burguês amigo daqueles para quem até os pais têm preço, para quem até a pederastia e a prostituição infantil nos vãos de escada eram coisas supernas, tanto como um altar a uma deusa do perdão e a sede de um banco de investimento onde o trabalho se sublimou em moeda e até no valor virtual do mundo. 
Não sou capaz disso: tenho, tristemente, intolerantemente, as minhas idiossincrasias. Identifico-me mais com a masculinidade do Putin (a ditadura do corpo, como legendava o Le Monde) do que com a nossa ocidental mulher de barbas (a ditadura da alma cristã amorosa com pilosidades na sua bondade transcendente e divina), um belo e imortal emblema da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Se não estou bem, que me mude.
Sei que estou para aqui a misturar cousas e lousas, mas devem-me entender: nada tenho contra a senhora mas tenho muito contra a manipulação das consciências. Quando os direitos do trabalho ficam à porta das empresas e do Estado, quando a liberdade de expressão não entra nos grandes meios de comunicação, quando a paz é para os políticos ao serviço do capital um eufemismo da guerra, quando ao lado do ensino técnico-científico vai a procissão do embrutecimento cívico, cultural, artístico e moral, ter uma mulher de barbas como heroína da liberdade e ícone da tolerância é ver os poderes ocidentais sugerirem-nos o seguinte: tomai lá, povo, todas as vossas liberdades sexuais, estilísticas e artísticas, pois a liberdade é também a dos patrões, da compra e venda do trabalho, dos negócios das armas e da arte da guerra.
A nossa Europa não é nem feminina nem masculina: é transgenérica. É, pois, herdeira do grande imperador romano Nero. E é assim, apesar de mim próprio, que ela está bem.
Por isso, fiquei triste ao ler este editorial num sítio de esquerda, até porque a mulher de barbas é um símbolo da luta dos valores ocidentais contra os bárbaros russos:     
 
 

"DISGUSTING 

Em outros tempos a Europa era considerada por muitos como a matriz da cultura, da civilização, da ciência e das artes. Esses tempos estão acabados, agora o seu processo de decadência civilizacional acelera-se. E isso acontece também ao nível dos fenómenos de superestrutura. Manifestações repulsivas como o da mulher barbada que ganha um concurso na Eurovisão são exemplo disso. Triste Europa."

 

Há uma coisa que gostaria de saber: por que não se comemora o Dia da Vitória contra o Nazi-fascismo por estas bandas? Neste dia de 1945, nas grandes cidades da Europa Ocidental e nos Estados Unidos houve grandes celebrações. Mas parece que só agora a Rússia (com alguns países vizinhos) o comemora. Que estranho, para um dos mais importantes dias da História da Humanidade. Deixa-me a pensar certas coisas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Também na Ucrânia se festejou, apesar do governo